Relacionamentos e o Signo da Balança

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Estamos no mês em que o Sol atravessa Balança. E talvez seja uma boa altura para falarmos de relações.

Sim porque mesmo que não sejas Balança, ela aparece no teu mapa e condiciona uma ou duas áreas da tua vida.

Por isso vamos falar, não das relações românticas perfeitas e harmoniosas com que ainda sonhamos, porque essas não existem.
Mas de algo muito mais importante: o equilíbrio entre o Eu e o Nós.
Na Astrologia, Carneiro representa o Eu, a individualidade, a autonomia, a coragem de escolher o próprio caminho.
Balança representa o Nós, a relação, a partilha, a capacidade de negociar, ceder e construir uma vida com o outro.
São energias opostas, mas complementares. E o problema começa quando vivemos uma à custa da outra.
Durante muitos séculos, a nossa cultura valorizou um modelo de relação profundamente desequilibrado. O casamento para a vida, a submissão, a dependência económica e emocional, o sacrifício pessoal, sobretudo das mulheres, e a ideia de que amar significava abdicar de uma parte de nós.
Era Balança em excesso e Carneiro quase inexistente.
A partir dos anos 60, começámos a assistir a uma enorme transformação social e também astrológica.
Urano atravessou Balança entre o final dos anos 60 e meados dos anos 70, trazendo uma energia de liberdade, contestação e necessidade de reinventar as relações.
Plutão atravessou Balança entre os anos 70 e o início dos anos 80, aprofundando transformações nas estruturas relacionais, no casamento, no poder e na dependência.
Mais tarde, Urano em Carneiro voltou a colocar a individualidade, a autonomia e a liberdade pessoal em primeiro plano.
E agora, com Saturno e Neptuno em Carneiro, somos novamente convidados a repensar quem somos, aquilo que queremos e a responsabilidade de construir uma identidade própria.
O resultado está à nossa volta.
Mais separações, mais pessoas a viver sozinhas, mais independência, mais liberdade para escolher.
E ainda bem!
O problema é que corremos o risco de sair de um extremo para cair no outro.
Passámos do “não consigo viver sem ti” para o “não preciso de ninguém”.
Do medo de ficar sozinhos para o medo de voltar a depender.
Da submissão à independência levada ao limite.
E há uma coisa que precisamos de compreender: nem toda a independência é liberdade.
Às vezes, aquela pessoa que diz estar maravilhosamente bem sozinha continua profundamente condicionada pelas relações em que se anulou, pelas desilusões que viveu e pelo medo de voltar a sofrer.
Apenas trocou a dependência pela defesa.
Isto é particularmente importante para quem já passou dos 40.
Muitos de nós ainda fomos educados com o sonho do casamento ideal, da família perfeita, do amor que tudo resolve.
Entretanto, a vida encarregou-se de nos mostrar que uma relação não cura aquilo que ainda não curámos em nós.
Aprendemos a estar sozinhos.
A pagar as nossas contas.
A tomar decisões.
A sobreviver às separações.
A recuperar a autoestima e a construir uma identidade que já não depende exclusivamente de sermos amados por alguém.
Mas agora falta aprender a juntar as duas coisas.
Estar com alguém sem nos abandonarmos.
Estar sozinhos sem nos sentirmos abandonados.
Amar sem depender.
Ceder sem nos submetermos.
Ter liberdade sem precisar de fugir de qualquer compromisso.
Porque o verdadeiro equilíbrio entre Carneiro e Balança não está em escolher entre o Eu e o Nós.
Está em conseguir construir um Nós onde o Eu continua a existir.
E talvez seja precisamente por isso que este mês de outubro é tão interessante.
Vénus, regente de Balança, está retrógrada em Escorpião, signo onde as relações nos confrontam com os nossos apegos, medos, ciúmes, dependências, necessidade de controlo e dificuldades em confiar.
Escorpião não se contenta com relações bonitas por fora. Quer saber o que existe por baixo.
E esta retrogradação pode ser uma excelente oportunidade para rever a nossa história afetiva.
Não para correr atrás de quem partiu, nem para insistir em relações que já terminaram.
Mas para perguntar:
“Quando amo, continuo a ser eu?”
“E quando escolho estar sozinha, é por liberdade ou por medo de voltar a sofrer?”
Talvez a grande aprendizagem desta geração seja precisamente esta.
Já conhecemos a dor de nos anularmos pelo outro.
Já experimentámos a força de reconstruir uma vida sozinhos.
Agora precisamos de aprender a amar sem perder a liberdade e a ser livres sem fechar a porta ao amor.
Se reconheces estes padrões na tua história, uma consulta pode ajudar-te a compreender o teu eixo Carneiro–Balança, os teus padrões afetivos e aquilo que ainda precisas de transformar para viver relações mais conscientes.
Porque o objetivo nunca foi deixar de precisar de amor.
Foi deixar de precisar de nos abandonar para o receber.
veraluz@veraluz.pt
967 988 990
Mais informações:
Bem hajas e até já!
Vera Luz

Image by StockSnap from Pixabay

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