Perspetiva: aquilo que vemos é verdade, mas não é a verdade toda

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Há uma coisa que me impressiona cada vez mais: a facilidade com que confundimos a nossa perspetiva com a verdade absoluta.
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Eu vejo assim.
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Logo, é assim.
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E se tu vês de maneira oposta, estás errado.
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Fazemos isto na política: esquerda ou direita.
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No futebol: Sporting ou Benfica.
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Na alimentação: vegetarianos ou carnívoros.
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Na religião: filosofias orientais ou religião católica.
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Na saúde: medicina convencional ou medicinas alternativas.
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Escolhemos um lado e, sem percebermos, começamos a transformar uma escolha numa identidade, acompanhada muitas vezes pela arrogância de acharmos que a nossa é a escolha certa, o modelo que os outros deveriam seguir.
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E quando alguém apresenta uma visão oposta, sentimos quase que nos está a questionar a nós.
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Levamos aquilo como um ataque.
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E, em vez de tentarmos perceber o que é que o outro consegue ver que nós não vemos, atacamos e passamos imediatamente a tentar provar que temos razão e que o outro está errado.
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Vamos imaginar que estamos todos dentro de uma enorme caixa.
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A caixa tem quatro lados, uma tampa e um fundo.
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Em cada uma dessas faces existe um pequeno buraco por onde alguém observa o exterior.
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Um está virado para o mar e diz:
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“A realidade é água.”
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Outro está virado para uma floresta e responde:
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“Não. A realidade são árvores.”
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Quem está na tampa vê o céu, o Sol, a Lua e as estrelas.
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Quem está no fundo vê a terra, as raízes e as minhocas.
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Outro pode estar virado para uma cidade e garantir que a realidade são prédios, carros e pessoas.
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Quem tem razão?
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Todos.
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Todos estão realmente a ver aquilo que dizem estar a ver.
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O problema é que nenhum consegue ver a realidade inteira.
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E nós somos um pouco assim.
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Não observamos a realidade a partir de um lugar neutro.
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A nossa visão da realidade está condicionada pela nossa educação, pelas experiências, medos, feridas, memórias, religião, cultura, família, valores e crenças.
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Cada uma dessas camadas funciona como um véu que condiciona a forma como interpretamos aquilo que vemos.
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Até porque, na realidade tridimensional em que vivemos, estamos sempre a observar a realidade a partir de uma perspetiva limitada e condicionada.
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Não conseguimos ocupar simultaneamente todos os lugares da caixa.
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Por isso, o outro não precisa de vir negar aquilo que eu vejo.
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Pode vir acrescentar ao que eu vejo.
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Se a pessoa que vê o mar conseguir ouvir aquela que vê as estrelas, talvez descubra que existe uma realidade à qual, do seu lugar, não tinha acesso.
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E vice-versa.
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Ou seja, juntas irão aprender uma com a outra e chegar a conclusões que, individualmente, não conseguiriam.
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É aqui que entra, para mim, a verdadeira inteligência, seja ela científica, emocional ou espiritual.
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A inteligência é sempre curiosa.
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Quer conhecer.
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Quer perceber.
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Quer ouvir.
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Quer aprender.
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Quer descobrir o que ainda não conhece.
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E por isso consegue perguntar:
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“O que é que tu estás a ver daí que eu não consigo ver daqui?”
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Isto não significa que todas as ideias estejam certas ou que tenhamos de concordar com tudo.
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Significa termos humildade suficiente para reconhecer que a nossa perspetiva pode ser verdadeira e, ao mesmo tempo, limitada e, por isso, incompleta.
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E a própria vida demonstra isso constantemente.
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Quantas coisas defendíamos aos 20 que já não defendemos aos 40 ou aos 50, precisamente porque expandimos e vemos na fase adulta aquilo que não víamos aos 20?
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Quantas escolhas fazemos hoje que alteram aquilo que um dia jurámos nunca mudar?
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Mal de nós se chegássemos aos 50 com exatamente as mesmas ideias, certezas e visões que tínhamos aos 20.
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Não teríamos evoluído rigorosamente nada.
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“Nuncas” e “sempres” raramente são sinal de inteligência.
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Há uma frase habitualmente atribuída a Albert Einstein que diz:
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“A medida da inteligência é a capacidade de mudar.”
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E outra, frequentemente atribuída a Stephen Hawking, segue exatamente a mesma direção:
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“A inteligência é a capacidade de nos adaptarmos à mudança.”
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Independentemente da autoria exata destas frases, gosto da ideia que ambas transmitem.
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A flexibilidade é uma manifestação de inteligência.
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Uma mente inteligente consegue questionar, adaptar-se, integrar informação nova e mudar quando aquilo que aprende já não sustenta aquilo em que acreditava.
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Por isso, a rigidez com que defendemos determinadas ideias não é necessariamente uma atitude inteligente nem nobre.
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Pode significar simplesmente que deixámos de estar disponíveis para aprender e que o nosso ego defensivo nos aprisionou à nossa própria verdade.
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No pensamento oriental encontramos uma imagem de que falo muitas vezes: Yin e Yang.
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São forças opostas, mas complementares.
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Não precisam de se destruir para existir.
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Também nós vivemos entre polaridades.
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Temos as necessidades do corpo e da nossa vida concreta, familiar e social.
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E temos as necessidades do espírito, da realização interior, do sentido e daquilo que sentimos que viemos viver.
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Não precisamos de destruir uma para respeitar a outra.
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Precisamos de encontrar harmonia entre ambas.
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E talvez seja esse mesmo movimento que precisamos de aprender a fazer com os opostos que encontramos fora de nós.
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Mas há ainda outra razão pela qual esta abertura é tão importante.
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Uma pessoa saudável sabe que ainda não chegou ao topo da montanha.
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Não atingimos um lugar definitivo onde já sabemos tudo, compreendemos tudo e finalmente possuímos a verdade.
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A vida é movimento.
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Vamos aprendendo.
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Experimentando.
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Desfazendo ideias antigas.
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Libertando-nos de coisas que já não nos servem.
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Chegando a lugares que antes nem sequer conseguíamos imaginar.
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E para isso precisamos de permanecer abertos.
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Porque se aquilo que hoje penso, aquilo em que acredito e aquilo que aprendi já forem a verdade absoluta, então acabou.
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Já não tenho nada para aprender.
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Nada para questionar.
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Nada para transformar.
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Fiquei parada.
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Bert Hellinger escreveu uma frase de que gosto particularmente:
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“Só o imperfeito pode evoluir. O perfeito já se estagnou, cristalizou-se. Portanto, só o imperfeito tem futuro.”
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Osho chega a uma ideia muito semelhante quando relaciona a perfeição com a estagnação e a imperfeição com a possibilidade de continuar a crescer.
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E talvez seja precisamente isso.
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Enquanto estamos vivos, estamos inacabados.
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E ainda bem.
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Porque aquilo que está inacabado pode aprender.
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Pode mudar.
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Pode rever uma certeza.
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Pode descobrir outro lado da caixa.
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Pode deixar morrer uma ideia antiga e permitir que nasça uma compreensão nova.
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Falamos muito de apego às pessoas, às relações, às casas ou às coisas.
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Mas existe também apego às ideias.
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À nossa religião.
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À nossa visão política.
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À nossa maneira de viver.
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À nossa ideia de família.
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Aos nossos princípios.
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À imagem que construímos de nós próprios.
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E podemos defender algumas dessas certezas com unhas e dentes para, dez anos depois, já nem sequer acreditarmos nelas.
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Para chegarmos a um novo patamar, alguma coisa da versão anterior de nós próprios terá de morrer.
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É o princípio da morte e do renascimento.
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Por isso, talvez devêssemos perguntar mais vezes:
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“Isto ainda é verdade para mim?”
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“Continuo a pensar assim porque ainda me faz sentido ou simplesmente porque sempre pensei assim?”
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“Esta ideia ainda me permite crescer ou estou apenas agarrada a ela?”
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A água também nos ensina isto.
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A água precisa de circular.
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Quando fica demasiado tempo parada, estagna.
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Nós também precisamos de deixar entrar coisas novas e permitir que algumas antigas saiam.
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Aprender.
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Questionar.
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Atualizar.
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Reformular.
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Deixar ir.
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Porque quem não consegue questionar aquilo que sabe também deixa de conseguir aprender aquilo que ainda não sabe.
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E voltamos à nossa caixa.
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Talvez um dia descubramos que aquilo que víamos pelo nosso pequeno buraco era realmente verdade.
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Havia mar.
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Nós não estávamos enganados.
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Só estávamos enganados quando pensávamos que não existia mais nada. Ou quando achávamos absurda a ideia de existir uma floresta ou errada a ideia de existirem estrelas e Lua.
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É por isso que a pessoa que olha pelas outras janelas não precisa de ser nossa inimiga.
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Pode ser precisamente aquela que nos permite descobrir uma parte da realidade à qual, sozinhos, nunca teríamos acesso.
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Talvez inteligência, maturidade e evolução sejam também a capacidade de conservar dentro de nós esta pequena porta permanentemente aberta:
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“Aquilo em que hoje acredito pode ser verdade. Mas ainda há muito que eu não consigo ver.”
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Porque enquanto houver abertura, há movimento.
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Enquanto houver curiosidade, há aprendizagem.
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Enquanto houver flexibilidade, há transformação.
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E enquanto estivermos disponíveis para deixar morrer algumas das nossas certezas, continuamos disponíveis para renascer.
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veraluz@veraluz.pt
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967 988 990
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Mais informações:
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Bem hajas e até já!
Vera Luz

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