Dicas para lidar com a imaturidade emocional

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A imaturidade emocional continua a ser uma pandemia invisível, não reconhecida e que, ao contrário da que nos foi imposta nos últimos anos, esta é real, muito mais devastadora e não há v@cina para ela.

Então o que define afinal a imaturidade emocional?

– É fácil, olhemos para uma criança entre o seu primeiro e o quarto ano de idade.
Agir inconsequentemente, culpar os outros, fugir de responsabilidades, incapacidade de lidar com as suas emoções, reações a frustrações desproporcionais, falta de consciência do seu impacto no mundo dos outros, birras quando não tem o que quer, desobediência e provocação, desrespeito por regras e autoridade, falta de autonomia, jogos de manipulação e obviamente, falta de maturidade e responsabilidade pessoal sobre si mesma, sobre a sua vida interior e exterior.

Tudo isto é permitido e pode até ter gracinha quando se trata de crianças destas idades a quem toleramos estes comportamentos por serem normais para a idade. Mas quando o ambiente não é ideal ao processo de maturidade emocional, quando não se aprenderam as bases da disciplina, da responsabilidade e consciência pessoal, a criança corre o risco de ficar presa nas dinâmicas desta fase. Ou seja, o tempo vai passar no relógio, o corpo vai crescer, mas emocionalmente mantém-se infantil.

Quais são então as consequências disso? 

Os problemas causados pela imaturidade emocional na vida adulta começam logo na infância quando somos criados por pais imaturos, pais que não amadureceram, pais que não souberam o que são limites, pais que não desenvolveram o sentido de responsabilidade e disciplina pessoal, pais que não passaram a noção de causa e efeito, pais que não aprenderam a reconhecer e gerir as suas próprias emoções e logo, não estão habilitados a apoiar ou educar saudavelmente o crescimento de uma criança. 

Sim também há muitas almas que já nascem amadurecidas, já desenvolveram um bom sentido de responsabilidade que se revela logo cedo, que tanto pode vir de trabalho já feito em vidas passadas como ter aspectos planetários que a ajudam a amadurecer mais depressa.

Mas basta olharmos para o estado do mundo, para as prioridades do ser humano, para os comportamentos das pessoas para percebermos que essas almas maduras não são a maioria, antes pelo contrário.

Pela Lei do Equilíbrio, Lei do Karma e Lei da Atração, as almas imatura vão atrair para a sua vida, por vezes outras as almas imaturas para que vejam o seu proprio problema no outro, ou pelo contrário, vão sentir-se atraídas pelas almas maduras que vão representar a solução.

Por chegarem à idade adulta sem terem ainda desenvolvido a sua estrutura emocional e psicológica, estas pessoas não conseguem ser o adulto consciente, saudável, equilibrado, empático, respeitador, amoroso, responsável que todos temos a capacidade de ser.

Consequências; adultos infantis cheios de traumas e memórias de infâncias mal vividas, adultos que não cresceram saudavelmente, que não cumpriram o processo de maturidade interna, que não aprenderam a lutar por si mesmos, a conquistar o seu lugar no mundo, a pagar as suas contas, a contribuir positivamente para o mundo à sua volta. 

Estes adultos imaturos, apanham-se de repente na idade adulta, no mundo dos grandes, nas exigências da sociedade onde irão viver desajustados, desconfortáveis, cheios de problemas, a depender de alguém, a sentirem-se desenquadrados do mundo e pior do que tudo sem perceberem porquê, culpando e projetando os seus problemas em tudo e em todos. Ou seja, sem reconhecerem que são eles próprios a causa dos seus problemas, dos seus “azares e injustiças” e que está dentro deles também o poder de iniciar o processo de maturidade, da mudança e da sua cura.

Sem qualquer consciência do seu dilema interno, e sem apoios, incentivos e referências sociais saudáveis que mostrem o problema e a solução, estes adultos infantis vão acabar por casar e viver em relação, estudar, ter empregos, desempenhar papéis na sociedade e ter filhos. 

Sem a maturidade necessária para uma vida de qualidade, estas pessoas vão entrar nas relações românticas numa postura idealista, com a atitude da criança, esperando amor, dedicação e segurança do outro que lhes falhou na infância com os seus pais imaturos e que não foi ainda trabalhada por si mesmo.  As relações estão cheias de ilusões em que vemos mulheres infantis à procura do papá no marido e homens também infantis à procura da mamã nas mulheres.

O curso, trabalho ou a profissão, não raras vezes não foi bem escolhido e por isso vai causar frustração e servir de área de compensação ao vazio interior através de relações tóxicas com colegas, de abusos ou desrespeito às figuras de autoridade (não as reconhece porque nunca as teve e ainda não é autoridade da sua própria vida), de problemas com dinheiro e numa busca exagerada por controle, tralhas, poder, estatuto, cursos académicos como ilusões de valor próprio, de ser poderoso, de se sentir adulto.

Os filhos destes pais imaturos são normalmente crianças cheias de traumas, crianças educadas por “pais amigos” ou “pais submissos” ou “pais tiranos”. Infelizmente nenhum deles representa os pais maduros e adultos que a criança precisava e por isso estas crianças vão crescer sem consciência de si mesmos, sem limites saudáveis, sem referências e valores nobres, sem sentido de responsabilidade pessoal ou respeito pela autoridade, sem amor próprio, sem referências do que é afinal um adulto maduro, saudável e equilibrado.

Num instante estas crianças tornam-se jovens imaturos, sabichões, desafiadores, rebeldes que, numa idade muito jovem mas importante, vão tomar más decisões que lhes vão criar problemas graves a nível relacional / romântico, profissional, social e familiar.

Estas relações entre pais imaturos e filhos são altamente desafiantes para ambos os lados, pois os pais infantis e imaturos estão sob esforço, não desenvolveram a consciência de si mesmos, não têm ferramentas ou sabedoria de vida, não têm referências externas ou capacidades para a enorme tarefa de educar um filho. 

Por outro lado as crianças, filhos destes pais imaturos, cedo percebem que não existe segurança, validação ou amor maduro e por isso desde tenra idade desenvolvem mecanismos de sobrevivência tais como agradar em exagero, aprender a ficar calados, a revoltar-se e a ser rebeldes, a fugir para os grupos de amigos, a ser a criança perfeita que não dá trabalho, a ser obediente, a engolir as suas dores e desconfortos pois sabem e sentem que os pais não lhes irão dar o que precisam.

Preocupadas em manter estes mecanismos a funcionar, estas crianças passam a sua infância e juventude a sobreviver e logo, não há espaço, tempo, condições ou oportunidade de crescer saudavelmente, de lidar com os seus traumas, de aprender sobre amor próprio, de descobrirem quem são e quais os seus talentos, de gerir as suas emoções, deixando normalmente esse trabalho para a fase adulta, quando assim acontece pois infelizmente a maioria irá viver sem nunca saber o que é terapia.

É importante frisar que estas infâncias e estes encontros não são injustos, não são obra do azar, não são um erro divino, antes pelo contrário. Estes encontros karmicos mais pesados fazem parte da história dos envolvidos, as pessoas foram escolhidas como as certas antes da encarnação, as lições são as que precisamos pois estão bem impressas no mapa de nascimento de ambas as partes. 

Sem estes encontros difíceis, não cresceremos, não haveria palco de amadurecimento e evolução espiritual para todos os envolvidos. Ou seja, a alma imatura nunca sentir necessidade de crescer e a alma adulta e responsável não teria relação com a sua criança interior.

Mas até que a cura seja feita, até que a alma encontre o tempo e circunstâncias certas para o amadurecimento, para a limpeza e transformação, o nosso ego irá manter este estado interno, projetando o problema no exterior, nas circunstâncias e pessoas e arrastá-lo o mais tempo que puder, quantas vezes a vida inteira. 

O mapa astrológico é muito claro a mostrar estes padrões de imaturidade mas quem não fala essa linguagem pode reconhecer facilmente as pessoas que sofrem de imaturidade emocional pois representam duas atitudes problemáticas;

1- O inseguro, o tímido, o envergonhado, o medroso que ficou no lugar da criança, que vai submeter-se a toda a gente em busca de colo, apoio, validação e orientação ao ponto do desrespeito próprio e humilhação pessoal. Estas pessoas vão-se aprisionar a relações tóxicas, sujeitar a empregos sem vida, permitir a manipulação de familiares, tudo em troca de migalhas que nunca alimentam. Porque nunca foi apoiado ou fez qualquer tipo de terapia porque nem sequer reconhece o seu problema, esta pessoa vai, neste estado lastimável, casar com alguém, vai ter filhos, vai ser um chefe ou colega de trabalho, vai abrir negócios, vai ser irmão ou irmã de alguém, fazendo tudo o que pode para esconder a verdade e drama interno.

2- O “bully”, o arrogante, o popular, o narcisista que tal como o anterior, também ficou no lugar da criança, também carrega o mesmo vazio e as mesmas dores, mas expressa-se pelo pólo oposto, impondo-se, rebelando-se, violentando tudo e todos, exigindo reconhecimento, levantando bandeiras de causas que nem conhece, reclamando valor, direitos, atenção, respeito a todos a à sua volta, tomando decisões que prejudicam a vida dos outros, sem qualquer consciência disso. Também este, porque nunca foi apoiado ou fez qualquer tipo de terapia porque nem sequer reconhece o seu problema, esta pessoa vai, neste estado lastimável, casar com alguém, vai ter filhos, vai ser um chefe ou colega de trabalho, vai abrir negócios, vai ser irmão ou irmã de alguém, fazendo tudo o que pode para esconder a verdade e drama interno.

Por não termos um sistema social / médico / espiritual que leve a sério a saúde mental, psicológica, emocional e espiritual do ser humano, a medicina tradicional ficou presa no físico como se fosse parte separada das outras, sem noção nenhuma ainda que o físico é onde se somatizam os bloqueios emocionais, mentais e espirituais.

Conclusão, todos estamos sujeitos a um processo de maturidade emocional, mental, espiritual e física. Nascer, crescer e morrer faz parte da vida tal como  vemos nas plantas e nos animais. Mas infelizmente por razões de falta de educação,  de inconsciência e prioridades erradas da nossa sociedade, acabamos por nos iludir e separar o crescimento biológico exterior do nosso corpo com o amadurecimento interno das outras partes.

Estamos todos a pagar um preço muito caro por essa ignorância sobre a necessidade imperativa humana de amadurecer.
Se adulto não é apenas pagar contas, ter filhos e levá-los à escola, comprar casa e carro, ir ao supermercado e ter uma profissão. Isso são tudo conquistas maravilhosas e importantes mas que não irão trazer paz e harmonia se não são acompanhadas pelo amadurecimento emocional. 

A vida, na sua maravilhosa sabedoria, não irá permitir que sejamos adultos realizados, saudáveis e equilibrados se não passámos pelas dores do crescimento, se não pagámos o preço de nos tornarmos adultos responsáveis.

Então afinal em que consiste um adulto maduro e responsável?

Chaves de Ouro do Amadurecimento

  • Aceita a realidade antes de tentares mudá-la. Cuidado com a resistência.
  • Assume a responsabilidade pela tua vida. Cuidado com as dependências.
  • Assume o preço das tuas escolhas, boas e menos boas. Cuidado quem culpas.
  • Faz escolhas das quais te vais orgulhar daqui a 10 anos. Cuidado com as más escolhas.
  • Faz o que tem de ser feito, mesmo quando não te apetece. Cuidado com a preguiça. 
  • Agradece a vida que recebeste e trabalha com o que ela te deu. Cuidado com a ingratidão.
  • Pára de culpar. Começa a construir. Cuidado com a vitimização.
  • Não esperes que os outros te deem aquilo que cabe a ti conquistar. Cuidado com expectativas alheias.
  • Não esperes respeito se não te respeitas a ti mesmo. Cuidado com arrogância.
  • Aprende a ouvir um “não” como sinal e redireção. Cuidado com a teimosia. 
  • Fala menos dos problemas e mais das soluções. Cuidado com a negatividade.
  • Queixa-te menos. Age mais. Cuidado com o medo de tomar decisões.
  • Troca a necessidade de ter razão pela vontade de aprender. Cuidado com mente fechada.
  • Tudo o que a vida te envia contém uma oportunidade de crescimento. Cuidado com a falta de fé.
  • Faz escolhas as quais te farão orgulhar de ti mesmo. 

Se queres perceber melhor as tuas relações, a tua pessoa, os teus desafios passados e oportunidades presentes, a tua história Karmica, a tua missão, o teu momento actual, envia email para veraluz@veraluz.pt ou ou encaminha para alguém que precise de ajuda.

Mais sobre este tema aqui:

A praga social que é a imaturidade ou “o padrão da criança”.


Mais informações consulta https://linktr.ee/veraluz_

Bem hajas e até já!

Vera Luz

Image by -Rita-‍ und mit ❤ from Pixabay

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