Porque levamos tanto tempo a tomar decisões?

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Perdi pessoas importantes, sofri rejeições dolorosas, tive de sobreviver sem ajuda, faltou amor na infância, não tive respeito, fui abandonad@.

Perdemos tanta energia a falar sobre as dores que os processos de transformação causam…
Na filosofia sistêmica, todos estes desabafos significam que estamos no lugar da criança à espera de ser salva pelo outro, que estamos de costas para o futuro e a olhar para o passado e por isso incapazes de seguir e fluir com a vida.

A chave de libertação dessas dores revela-se quando nos focamos nos aspectos positivos do nosso EU e reconhecemos o quanto perdemos tempo a tentar preencher os nossos vazios com o OUTRO.

Essa é a razão porque levamos tanto tempo a sair de situações dolorosas e a fazer mudanças positivas!

Tal como fizemos na infância, a maioria de nós ainda vive na ilusão de que a vida se vive de fora para dentro e não de dentro para fora. Uma simples, invisível e discreta crença que nos tira do nosso lugar de poder, que nos aprisiona às vezes uma vida inteira e que nos custa dores e sofrimento sem necessidade.

Mas o que é que isso quer dizer?

Viver de fora para dentro é esperar ingenuamente que o mundo, as pessoas, as coisas, as circunstâncias nos alimentem a todos os níveis e nos façam sentir bem, nos dêem o amor e o respeito que merecemos e nos devolvam a paz e a harmonia que ansiamos. Essa postura submissa torna-nos vulneráveis e por isso acabamos sem querer, por nos sujeitar e pôr a jeito da dor, da violência, do abandono, do desrespeito, da rejeição de que o ser humano também é capaz. 

Neste formato a vida não flui, abandonamo-nos a nós próprios, mantemo-nos infantis e passamos a esperar de fora o que nos falta dentro.
Ou seja, ficamos presos ao que o OUTRO faz, ao que o OUTRO diz, ao que o OUTRO pensa, ao que o OUTRO devia ter feito, ao que o OUTRO talvez faça, ao que o OUTRO faz mal, ao que o OUTRO podia fazer melhor. Desta forma somos reféns, crianças infantis e irresponsáveis que projetam no outro todas as suas necessidades e carências.  

Escusado será dizer que só um bebé de berço tem a regalia de viver desta maneira e mesmo assim irá sentir muitas frustrações.

Viver de dentro para fora é antes de mais assumir que existe um EU, que esse EU tem necessidades e vontades próprias que não devem depender de ninguém e muito menos numa fase adulta. Esse EU está sujeito a um processo de maturidade social e evolução espiritual e logo precisa ter as rédeas da sua vida nas mãos, aprender a tomar responsabilidade pelo seu bem estar, equilíbrio e saúde a todos os níveis e principalmente a tomar decisões que dignifiquem o seu EU. Esse Eu vai precisar aprender a pensar pela própria cabeça, a tomar decisões de acordo com as suas ideias e valores, assim como fazer a gestão das suas emoções e investir em terapia e autoconhecimento. Por viver na matéria e ter um corpo esse EU precisa ter uma relação saudável com a sociedade onde vive, pagar as suas próprias contas e gerir as suas finanças, ir atrás dos seus sonhos, ser flexível suficiente para fazer mudanças sempre que esteja desconfortável. Cuidar do EU é ter muito consciente o que funciona para nós e o que não funciona, é ser livre o suficiente para não cair em apegos, ilusões e dependências desnecessárias que carregam o risco de nos tirar do nosso EU e de nos fazer cair na enorme tentação que é o OUTRO.

Curiosa e infelizmente, a nossa sociedade não educa para a evolução do EU, não empodera o EU, não incentiva a autonomia do EU, não investe na saúde emocional, psicológica, espiritual ou financeira do EU e por isso a maioria não só tem um EU fraco como cai na ratoeira de buscar no OUTRO o que afinal temos em nós.

Deixo assim o convite para procurares analisar no teu discurso, se falas mais no EU ou no OUTRO. Se ages mais por conta própria ou se alimentas expectativas em relação ao outro. Se ainda julgas, condenas, te revoltas, temes, esperas, comentas, atacas ou mesmo idealizas o outro, ou se simplesmente te foca no teu EU aqui e agora e em providenciar o que esse EU quer e precisa. Se tens resistência em estar sozinh@, se o OUTRO é sempre desculpa, prioridade ou razão, é sinal que o eu EU está abandonado e estás a viver de fora para dentro.

Investe então e analisa o que o teu EU quer, o que o teu EU gostava, o que o teu EU precisa, o que o teu EU sente, o que o teu EU intui, o que o teu EU não gosta, o que o teu EU não aceita, o que o teu EU gostava de fazer mas ainda não teve o o teu apoio, coragem ou iniciativa, os sonhos do teu EU e depois então age então de dentro para fora.

Se queres perceber melhor a tua pessoa, a tua história Karmica, a tua missão, o teu momento actual, desafios passados e oportunidades presentes, envia email para veraluz@veraluz.pt ou ou encaminha para alguém que precise de ajuda.

Mais informações consulta https://linktr.ee/veraluz_

Bem hajas e até já!

Vera Luz

Image by Bruno Henrique from Pixabay

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