Há uma palavra de que gosto cada vez mais.
Livramento.
Porque ela obriga-nos a olhar para a vida de uma forma completamente diferente do que estamos habituados.
Todos nós temos sonhos.
Projetos.
Objetivos.
Experiências que queremos fazer.
Profissões que gostaríamos de ter.
Planos que imaginamos perfeitos.
E, quando essas coisas não acontecem, a primeira conclusão costuma ser sempre a mesma.
“Não tive sorte.”
“A vida foi injusta comigo.”
“Deus castigou-me.”
“Não sou suficientemente bom.”
“Não mereço.”
Mas… e se estivermos a interpretar a vida completamente ao contrário?
E se aquilo que hoje chamas perda, azar, injustiça…
Tiver sido, afinal, um dos maiores atos de amor que a vida teve contigo?
Quanto mais estudo astrologia kármica, numerologia e as grandes filosofias espirituais, mais me convenço de uma coisa.
A vida não procura castigar-nos.
Ela pretende alinhar-nos.
O problema é que a nossa mente e a nossa alma nem sempre querem a mesma coisa.
A mente deseja.
A alma sabe.
A mente apaixona-se por pessoas.
A alma procura crescimento.
A mente quer segurança.
A alma procura liberdade.
A mente quer controlar o futuro.
A alma quer aproveitar o presente para evoluir.
E é precisamente aqui que começa um dos maiores conflitos da existência humana; o desalinhamento entre a alma e a mente.
Há momentos em que a vida… boicota-nos.
Sim.
Boicota uma relação.
Boicota um emprego.
Boicota um projeto.
Boicota um negócio.
Boicota uma gravidez.
Boicota uma mudança.
Boicota tudo aquilo que, aos olhos da nossa mente, parecia ser exatamente aquilo que queríamos.
E fá-lo por uma razão muito simples.
Porque a nossa mente pode estar apaixonada por um caminho…
…mas que seria profundamente destrutivo para a nossa alma.
Uma pessoa pode passar anos desesperada por encontrar uma relação.
Mas, se a grande aprendizagem da sua alma for a autonomia, o amor-próprio e a liberdade, a vida fará tudo para impedir que ela continue dependente de relações onde apenas se perderia de novo.
Outra insiste num comércio.
Investe dinheiro.
Tempo.
Energia.
Mas tudo parece bloquear.
Entretanto, sempre que ensina, cuida, escreve ou ajuda alguém, sente-se viva.
Talvez não seja azar.
Talvez a vida esteja apenas a dizer:
“Não é por aqui.”
Outra sonha ser mãe.
Mas a proposta da sua alma é outra.
Viajar.
Estudar.
Expandir a consciência.
Conhecer o mundo.
Descobrir-se primeiro como indivíduo.
E, por mais doloroso que seja, a vida fecha sucessivamente as portas da maternidade.
Castigo?
Ou livramento?
A diferença está na forma como olhamos para a realidade.
Porque a mente vive obcecada pelos seus desejos.
A alma vive comprometida com a sua evolução.
É por isso que tantas pessoas vivem revoltadas com aquilo que a vida lhes tirou.
Uma relação que terminou.
Um emprego que acabou.
Um negócio que falhou.
Uma mudança que nunca aconteceu.
Uma promoção que nunca surgiu.
Na altura, tudo parece uma enorme injustiça.
Parece azar.
Parece rejeição.
Parece fracasso.
Parece castigo.
Parece bruxedo!.
Mas o tempo tem uma forma curiosa de reorganizar a nossa visão.
Anos mais tarde, não raras vezes olhamos para trás e pensamos:
“Ainda bem que aquilo não aconteceu.”
“Ainda bem que aquela porta fechou.”
“Ainda bem que aquela pessoa saiu da minha vida.”
Aquilo que, num determinado momento, parecia destruir-nos…
Acabou por proteger-nos.
Talvez seja porque nós julgamos a vida apenas pelo episódio onde estamos.
A alma conhece a história inteira.
Talvez por isso a pergunta mais importante nunca seja:
“Porque é que isto me aconteceu?”
Mas sim:
“De que é que a vida me está a livrar?”
Essa pergunta muda tudo.
Porque deixa de olhar para a perda.
E começa a procurar o propósito.
Há perdas que parecem cruéis.
Mas acabam por salvar uma vida inteira.
Há portas que só fecham porque existia um caminho muito mais alinhado à nossa espera.
E há sonhos que nunca se realizam…
Não porque a vida nos tenha abandonado.
Mas porque pertenciam ao ego.
Não à alma.
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Bem hajas e até já!
Vera Luz

