Na sociedade materialista em que vivemos passámos a acreditar que o amor, o poder, a abundância, a paz, a segurança, a coragem ou resumindo, o conceito de felicidade pessoal que todos ansiamos sentir, encontra-se no acumular, no possuir, em comprar, em conquistar, em TER.
Sejam títulos, verdades absolutas, bens materiais, bebés, famílias perfeitas, cargos superiores, estatutos, pessoas, razão, tudo mais não são do que tentações e ilusões típicas do plano terreno que encantam o nosso ego e nos aprisionam às vibrações tóxicas do medo de perder, do julgamento da diferença e da comparação inútil de superior/inferior ou certo/errado.
A verdade é que jamais os valores universais do amor, da justiça, da liberdade, da responsabilidade pertencem a alguém ou são exclusivos de alguma religião e nunca irão depender exclusivamente da experiência humana pois existem no plano da alma, numa vibração espiritual muito acima da matéria.
O preço para aceder a esses valores está então diretamente ligado à capacidade que temos de relativizar as ilusões do mundo material e priorizar o plano emocional e espiritual. Tal como um balão de ar quente precisa de libertar pesos para subir.
Desde sempre os grandes mestres da história nos mostraram e ensinaram este princípio vivendo vidas humildes, simples e solitárias, libertando-se de pessoas e apegos terrenos e investindo no mundo interior, na pacificação consigo mesmos e na reconexão com o divino.
Podemos então afirmar que SER cada vez mais, implica TER cada vez menos. Que ao contrário do ego que luta, julga, resiste, controla, a alma percorre o Caminho Sagrado através da leveza, do desapego, da rendição.
Mas temos que largar tudo para sermos espirituais?
– Obviamente que não! A proposta sempre foi o equilíbrio, algo que como sociedade ocidental, nunca soubemos gerir.
O que vemos hoje na nossa sociedade é um imenso desequilíbrio entre a realidade espiritual e material, para não dizer mesmo inconsciência a nível espiritual.
A verdade é que a maioria vive vidas inteiras sem qualquer consciência espiritual ou gestão emocional, procurando a igreja para alimento moral mas vivendo uma vida inteira de vazio espiritual, ignorante das Leis Divinas, da sua história karmica, do seu Karma pessoal, das suas aprendizagens de vida, da razão dos enredos familiares, da sua missão de evolução e do verdadeiro sentido da vida.
Essa fórmula desequilibrada de vida vai originar o famoso e desconfortável vazio interior que infelizmente a todos assiste, responsável por problemas graves que se revelam tanto na falta de poder pessoal, amor próprio, submissão e dependências exageradas, como pelo contrário, na violência e abuso verbal e físico, na arrogância e ilusão de superioridade e narcisismo.
É conhecida a lei da complementaridade na ideia de que os opostos se atraem e por isso encontramos sempre dentro das famílias e principalmente nas relações amorosas, representações destas duas frequências que inconscientemente se atraem, precisamente porque sofrem do mesmo desequilíbrio e porque têm lições idênticas entre si.
Tanto um padrão como o outro são altamente tóxicos, geram dor e sofrimento para si mesmos e quem os rodeia e irão encontrar no mundo exterior, formas infinitas de compensação através de apegos e ilusões a pessoas, acumulação de bens materiais, prisões mentais de crenças e valores distorcidos, aprisionado-nos em rodas Karmicas que vazam e repetem-se de vida em vida até que a consciência e a cura aconteçam.
Como diziam os antigos, a dor é alquímica e a perda necessária, pois é através delas que interrompemos padrões tóxicos e repetitivos, que largamos pessoas e bens materiais e reaprendemos ou relembramos que o caminho do amor é para dentro, é pessoal, emocional, individual, autónomo, não dependente de algo ou alguém.
É nos primeiros passos dessa viagem para dentro que percebemos que o mundo exterior vai continuar a existir mas não como fim em si onde antes nos drogávamos com a energia dos outros e da densidade emocional e material, mas é sim um espelho de nós mesmos, um mapa cheio de sinais que nos guiam ao nosso interior, de volta à nossa Alma.
Precisamos então aprender a estar atentos aos sinais da vida, ser mais observadores e menos intervenientes, evitar julgar e aprender a “ler” a realidade e as pessoas que atraímos, manter a visão da floresta e não nos perdemos com uma árvore, intuir a razão e as lições por trás de perdas e frustrações, ou a mensagem por trás de um desafio. Precisamos reaprender a reconhecer que a vida é sábia nos seus movimentos, que nada acontece por acaso, que leis invisíveis regem os eventos da nossa vida, trazendo e levando de acordo com o plano evolutivo. Precisamos reaprender a ouvir o coração e disciplinar o caprichoso ego que nada sabe das leis do amor. Precisamos reaprender a fluir, a permitir que a vida nos revele o que os nossos olhos não vêem e mente limitada não compreende. É a partir dessa leveza que nos é permitido aceder ao mundo superior.
Bem hajam!
Vera Luz
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