A visão Karmica da realidade

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Não é fácil lidar todos os dias com quem ainda não conhecemos. Cada um de nós é um pequeno Universo, com a sua própria energia, padrões, passado e proposta de evolução. A máscara que usamos dos nossos papeis sociais escondem, na maior parte das vezes, a verdade complexa do que nos vai dentro.

Claro que os mapas astrológicos e numerológicos ajudam e dão pistas claras dos padrões de cada um. Mas o que eles não mostram é o grau de consciência e evolução em que cada pessoa está a viver as suas energias.
Por esta razão, para conhecer a história da pessoa e para perceber se ela está consciente e alinhada ou não com as suas energias, ouço a sua versão e o que a trouxe a uma consulta.

Não há muito tempo alguém me dizia que se sentia presa num trabalho frustrante que nada lhe dizia, ainda por cima sujeita a uma chefe autoritária e agressiva incapaz de a respeitar. A bandeira vermelha surge quando afirma que não precisa falar sobre a mãe porque deixou de falar com ela há anos e já fez 5 anos de psicoterapia que a ajudou finalmente a perdoar as mágoas que a mãe lhe deixou porque era extremamente autoritária e agressiva.

Talvez para uma mentalidade conservadora / religiosa / julgadora / vítima, este discurso ainda faça sentido e despolete até sentimentos de pena da ´má sorte´ desta pessoa. Mas acredito que para quem está já familiarizado com os conceitos de responsabilidade Karmica, este discurso esconde imensos sinais de alarme de quem não está ainda consciente da dualidade da vida, das leis universais, da responsabilidade pessoal ou sequer do propósito de evolução espiritual.

Antes de mais precisamos perceber o papel da mãe que não foi “escolhida” ao acaso. Diz a Lei do karma que apenas colhemos os frutos dos nossos plantios. Somos por isso, cada um de nós nas vidas uns dos outros, na maior parte das vezes completamente inconscientes disso, os “entregadores” dessas cargas Karmicas que cada um precisa colher. A Lei da Atração ajuda-nos trazendo à nossa realidade as pessoas que fazem parte dessa tarefa. A posição da Lua no mapa, dá-nos, para além de muitas outras, duas pistas básicas; um imaturo passado inconsciente do próprio e também a mãe da pessoa em questão e neste caso confirma o autoritarismo e a agressividade que ela própria carrega como sombra, projetada inconscientemente na mãe.

Deste ponto de vista, e usando outros aspetos de ambos os mapas, podemos então contar a história Karmica perante os mesmos factos;
Algures em vidas passadas, pelas mais variadas razões, esta pessoa não fez o seu trabalho de responsabilidade pessoal, não amadureceu as suas emoções, não seguiu o seu caminho individual ou sequer cumpriu a sua missão espiritual. Essa imaturidade e traição a si mesma, gerou frustração e raiva que acabou por ser manifestada na forma de agressividade, usando e abusando de quem a rodeava como forma de compensação. Este formato de vida, prisioneiro de crenças limitadoras e uma profunda ignorância espiritual fê-la assumir uma postura autoritária, ou seja, incapaz de amadurecer, crescer e ser autora da sua própria vida, projetou esse autoritarismo, mandando na vida dos outros.

Esta pessoa, ou melhor dizendo, estas energias passadas que ela esconde dentro de si mesma e que vêm em busca de cura na vida presente, estão representadas na própria mãe que aparece na sua vida como “lembrete” do seu próprio passado, como consciência da sua própria sombra. A nossa mãe faz, na maior parte das vezes, esse difícil papel de nos lembrar de onde viemos para que, através dela, possamos curar e transformar o que dela em nós ainda sobrevive. Somos assim a proposta de cura desse velho padrão que embora ainda seja visível na nossa mãe, vem em nós e no nosso mapa, preparado para ser limpo.

Perante esta visão Karmica, o perdão não faz sentido. Não há nada para perdoar a não ser a nós próprios pelo que criámos sem qualidade e sem amor e que pelas Leis a nós retorna em busca de aprendizagem, cura e libertação. Aliás, se trocássemos o conceito de perdão por entendimento karmico, deixariam de haver tantos dilemas familiares, culpas e projeções das próprias sombras nos outros.

Perante esta nova visão esta menina não só afirma que depois de anos de psicoterapia, nunca nada lhe fizera tanto sentido, e com os olhos cheios de água diz que há anos que não sentia uma vontade enorme de ir dar um abraço à mãe.
Alertei que a mãe veio para fazer aquele papel e está também sujeita às suas próprias energias. Que embora ela tivesse expandido a sua consciência e percebido finalmente o papel da mãe na sua vida, a mãe ainda era a mãe de sempre. Mas mudando a sua atitude e energia perante a mãe, daria assim início à possibilidade de cura da relação e da própria mãe também.

Sem esta visão Karmica, esta menina não teria amadurecido e entendido a sua energia e a sua história. Teria ficado presa no estado de vítima da má sorte, no julgamento da mãe como pessoa má. Incapaz de entender o papel da mãe, fecharia-se para a cura da sua própria sombra, ficando presa nas mesmas frequências até que a cura acontecesse. Ter atraído aquela chefe era já prova disso. Sem esta visão o laço karmico que prende as duas não seria dissolvido com o amor que ela agora aprendia a ter pela mãe pela primeira vez na vida. Pela primeira vez também, ao iluminar a sua sombra, revelaram-se também aspectos do seu potencial e da sua Luz verbalizando a sua vontade de profissionalmente, ajudar pessoas.

Em duas horas, uma diferente e mais espiritual visão do mundo desabou velhas crenças e deu início a um maravilhoso processo de consciência e transformação pessoal. A mãe passou de carrasco a Mestre. Como dizia Rumi; “A ferida é o lugar por onde a luz entra.”

Grata pelo voto de confiança no meu trabalho e parabéns a todos os que saem das suas zonas de conforto e se atrevem a ir em busca da sua cura e da sua felicidade.

Bem hajam!
Vera Luz

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