O problema da humanidade não nasce da maldade.. Nasce da ignorância.

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A violência, o ódio, o egoísmo, a injustiça, o materialismo, a frieza, a manipulação e outros tantos miseráveis estados de ser, são apenas subprodutos da nossa ignorância quanto à nossa essência, existência e propósito espiritual. Poucos ainda acordaram para a ideia de que a vida é um processo de evolução espiritual que envolve responsabilidade por si mesmo e logo ainda estão presos à ilusão do exterior, acreditando que a vida é um “jogo” de conquista material e que ganha quem tem mais. Coisas, razão, dinheiro….

Desconectados do nosso mundo interior, ignorantes sobre o que as antigas sabedorias já nos tentam ensinar há séculos, em infantil negação quanto à nossa herança energética e propósito de evolução espiritual, vivemos num culto iludido pela persona que representamos, pelo corpo e identidade que temos, pelos papeis que representamos, pelo visível, pelo superficial, pela matéria, pelo Ego, completamente desconectados do que em nós é eterno, invisível e intemporal chamado Alma.

A consequência de vivermos apenas a densidade material, fez-nos ficar presos à sua emoção dominante; o medo, e esse sim tem dominado o mundo e cada um de nós nos últimos séculos. Incapazes de aceder à energia do Amor, não sabemos ainda cooperar, tolerar, criar empatia ou diplomacia e está à vista o mundo que temos dominado pelo medo.

Embora seja uma antiga batalha que faz parte da dualidade em que vivemos, o grande antibiótico capaz de curar a profunda ignorância de que sofre a humanidade será sempre o Amor. Tal como a escuridão se rende à presença da Luz. Enquanto não tomarmos consciência que temos no nosso livre arbítrio a capacidade de escolher a Luz e o Amor em cada momento, encontro e desafio, a resposta por defeito será a reactiva do medo.

Por conhecerem bem estes mecanismos do ser humano, por saberem bem que reagimos mais depressa ao medo do que ao Amor, desde sempre, figuras de poder o usaram para exercer o seu domínio sobre a população. Sejam figuras de estado na busca de impostos e controle, seja no trânsito através de multas e coimas, nas escolas na tentativa de organização e disciplina, seja nas religiões na busca de atenção e obediência. Seja até entre pais e filhos em frases tão simples como; “não comes a sopa, não vais brincar”. O medo é uma arma eficaz e só perderá o poder que tem quando lhe deixarmos de vender a alma.

Se escolher agir ou responder à vida pelo Amor, pela tolerância e paciência já é um desafio gigantesco para a maioria dos conscientes, o que podemos esperar daqueles que nem sequer estão conscientes da dualidade, que nem têm noção do poder que têm de escolher o medo ou o amor e que simplesmente reagem automaticamente sempre e por defeito, pelo medo?

Nesta Era tão surreal, mágica, instável mas rica na mudança de paradigma que estamos a viver, o desafio C o v i d foi de facto o teste perfeito que a humanidade precisava para esta velha batalha cósmica.
A ameaça invisível (e não é o medo também?), a trazer a proposta de agir ou reagir.
O convite para observar, pensar, investigar e então escolher com Luz e consciência ou o medo, a reação, a defesa e a ilusão do controle. A Era do Amor não vai aparecer magicamente. Ela irá ser uma realidade quando a maioria já for capaz de escolher o Amor.

Até lá, o medo ainda irá causar a sua destruição. O medo paralisa, torna-nos reactivos, impulsiona movimentos sem consciência. Quem tem medo não sabe estar em equilíbrio, aliás, não sabe estar. 
A hormona do cortisol, activada pelo medo prende-nos a dois movimentos básicos conhecidos por; fight or flight; enfrentar ou fugir. Ambos estão ligados ao corpo físico para que possamos agir, caso a nossa sobrevivência seja posta em causa. Para que o corpo responda, os circuitos da mente são temporariamente desligados para que não percamos tempo a pensar como vamos reagir à situação. O medo não nos torna mais inteligentes e capazes de boas ações. Antes pelo contrário. Leva a maioria muito perto do perigoso estado seguinte; o pânico! e esse sim é perigoso e capaz inclusive de criar problemas adicionais, tão ou mais graves do que o que já temos que lidar.

 A única forma de não nos deixarmos levar pela corrente do medo, é manter a consciência, é manter a ligação entre a mente e o coração, é travar todo e qualquer impulso inconsciente, é exercer uma escolha com amor e qualidade sobre a realidade, é analisar factos, ideias, relatos e deixá-los passar pelo filtro do que nos faz ou não sentido. Do que é ou não ecológico para cada um de nós.

Parece que nos dias que correm a dialética hegeliana perdeu-se por completo na sua capacidade de refletir acerca da realidade nas suas mais variadas e diferentes visões. Diz o Wikipédia; “Dialética é um método de diálogo cujo foco é a contraposição e contradição de ideias que levam a outras ideias e que tem sido um tema central na filosofia ocidental e oriental desde os tempos antigos. A tradução literal de dialética significa “caminho entre as ideias”. (…) A dialética é a história das contradições. (…)Na Grécia Antiga, a dialética era considerada a arte de argumentar no diálogo. Atualmente é considerada como o modo de pensarmos as contradições da realidade, o modo de compreendermos a realidade como essencialmente contraditória e em permanente transformação.”

De um dia para o outro, perante uma informação não analisada e investigada correctamente perante variados factos, milhões reagiram por medo, que entretanto, à conta da máquina de propaganda do media, passou a ser a atitude nobre, a escolha certa, a postura responsável e o que precisou ou foi capaz de manter o centro, pensar, investigar, questionar e analisar a mesma informação sob diferentes e variadas fontes passou a ser o irresponsável, o problemático, o negacionista.
Acredito que os velhos filósofos gregos estão a dar cambalhotas nos túmulos, chocados com a falta de bom senso que reina no nosso tempo! Claro que eles não tinham a máquina de propaganda diária a dizer-lhe o que pensar ou em que acreditar e tenho a certeza que essa é um dos grandes monstros sociais que criámos para nós próprios. Infelizmente, seja na escola ou nas TV´s, ensinam-nos a decorar, dizem-nos O QUE pensar mas não nos ensinam a questionar, a filosofar, a fazer teses e antíteses e por isso não chegamos às sínteses, não respeitamos as diferenças e diferentes formas de pensar.

As consequências mostrarão com o tempo a cada um, a qualidade das suas escolhas.
Para quem ainda vê o mundo como um palco de doidos, um caos desgovernado, a teoria do “salve-se quem puder” faz todo o sentido.
Para quem já aprendeu a ver a Ordem por trás dos eventos codificada nas estrelas, para quem já descobriu que a realidade é um palco de teste ao nosso processo de evolução individual, não só já não se ilude facilmente, como escolhe com muito cuidado e consciência, a resposta a dar a cada momento. É para isso que o livre arbítrio serve!

Só a partir desta consciência, o mundo dual em que vivemos faz sentido. Só com a consciência da dualidade percebemos o poder e a responsabilidade que temos em escolher.
O estado da nossa energia depende unicamente das escolhas que temos vindo a fazer assim como das escolhas que estamos a fazer hoje. A vida será então sempre este permanente plantar e colher que tal como a imagem do egípcio mantêm uma mão virada para o passado e outra a plantar o futuro.
Para percebermos essas velhas e esquecidas escolhas, feitas já em outras existências precisamos ir ao passado encontrar a linha que nos trouxe até aqui pois é a partir dela que iremos perceber a direcção rumo ao futuro. E por isso, embora a realidade seja sempre a mesma, ela é percepcionada de forma diferente e pessoal por cada um de nós.
Enquanto não descobrirmos a nossa linha, a nossa rota única, vivemos doentes, a sofrer dos males causados pela sabedoria que desconhecemos. Por exemplo;

Não sabemos que somos partículas de energia em busca do próprio equilíbrio.
Não sabemos que somos seres duais capazes do melhor e do pior conforme o nosso nível de consciência.
Não estudámos as leis universais que nos regem. Não conhecemos a lei da atracção que nos faz chegar o que e quem precisamos para cumprir o nosso propósito. Não conhecemos a lei da ressonância que nos permite ver nos outros o estado da nossa energia.
Não nos ensinaram que somos herdeiros de uma história muito mais antiga do que a que conhecemos com o nosso nome.
Não nos avisaram que o que fizermos na vida presente terá consequências na próxima. Não nos explicaram que esta vida é já uma consequência da anterior.
Não nos explicaram que a nossa vida serve para fazermos uma imensa transformação da pessoa que nascemos para uma outra bem diferente quando morrermos. Não nos ensinaram que nós somos os únicos responsáveis pelo estado da nossa energia e pela evolução da mesma. Não sabemos que embora o mundo pareça um caos, há leis universais que estão para além das experiências e comprovações científicas que regem as nossas vidas.

A maior parte de nós vive sem noção de que as circunstâncias da vida presente estão directamente ligadas à história que trazemos das vidas passadas. É o espírito que tem uma história e não a nossa personalidade. A personalidade e os papeis que representamos são os palcos de experiência onde a Alma evolui, são um meio  de crescimento e não um fim em si. Por consequência não entendemos o que nos acontece, quem nos rodeia ou qual o nosso propósito.
O nosso ego ou personalidade investe tudo para conseguir criar uma vida estável, segura e feliz. Mas o espírito tem intenções diferentes, muito mais elevadas e inteligentes.
Para o espírito, a vida serve para colher as consequências de actos passados, conhecer as leis universais de maneira a conseguir fazer a transformação interior e aprender sobre o amor, e como plantar sementes de qualidade.
Conclusão: as duas intenções são diferentes e isso cria um dilema dentro de nós pois as Leis Universais e os movimentos do planetas agem a favor da intenção do espírito e não dos desejos do ego.
O crescimento espiritual acontece quando abrimos mão do controle e de querermos que a vida seja à nossa maneira e nos rendemos ao propósito superior de evolução que ela tem para nós.
Aprender sobre as leis universais é essencial para entendermos as dinâmicas à nossa volta de maneira a conseguirmos dar entendimento e resposta positiva ao que quer que venha à nossa vida.
Reconectados com essas leis e com o nosso interior reaprendemos a ver a dualidade. Percebemos que o nosso ego nunca irá ter o que quer, iremos sim atrair o que o nosso espírito precisa para cumprir o seu propósito. E é desta dualidade que estamos em condições de voltar à Unidade.

Bem hajam!
Vera Luz

 

Imagem de Reimund Bertrams por Pixabay

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