O papel das emoções

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Não é raro que os desabafos em consulta revelem muitas emoções escondidas;
A descrição de um parceiro abusador revela a anulação pessoal, a falta de autoridade e o medo de o enfrentar.
A descrição de um pai ausente revela a rejeição e a falta de reconhecimento por parte de figuras masculinas.
A descrição de um irmão narcisista, adorado por todos na família, revela sentimentos de inferioridade, de invisibilidade e revolta.
A descrição de uma mãe fria, crítica e exigente, revela a tristeza, a falta de amor próprio e a valorização pessoal.
Enfim, embora não possamos generalizar, e às vezes eventos semelhantes provoquem emoções diferentes, a sensibilidade e o trabalho diário nesta área, ajudaram-me ao longo do tempo a juntar a intuição ao relato de forma a trazer ao de cima todas as emoções escondidas e negadas com o tempo, às vezes até pelo próprio.
E se por natureza, já temos a tendência de negar e justificar o que sentimos como adultos, juntamos ainda a incapacidade que temos em criança de dar nomes ao que sentimos. Como consegue uma criança dizer que sente angústia? separar a rejeição da solidão? confundir ressentimento, com raiva? baralhar tristeza com ansiedade, medo com insegurança?
Às vezes parece um trabalho infantil o de convidar o adulto a identificar a emoção certa e a chamá-la pelo nome, mas na verdade estamos a fazê-lo pela criança que não tinha vocabulário suficiente para dar nomes ao que sentia na altura. E não é raro o adulto, formatado familiar e socialmente para só sentir coisas bonitas e emoções positivas, se choque quando admite que sente raiva por exemplo. Há sem dúvida umas emoções “socialmente” aceites e válidas como o medo por exemplo, e outras não tanto como a raiva por exemplo.
Lembremo-nos que carregamos em nós todas elas. Que todas são válidas pois fazem parte do nosso GpS interno, que cada uma nos dá feedback e orientações diferentes para que melhor possamos entender e escolher na relação entre mundo interior e mundo exterior. Sem elas, arriscamo-nos a viver como barcos à deriva, perdemos o mais valioso critério interno de escolha e ficamos à mercê de pessoas e circunstâncias.
O facto de dizermos que não temos raiva não quer dizer que não a sintamos. Quer apenas dizer que a nossa mente está em conflito e negação com o que o coração sente. Às vezes acontece o contrário. A mente foca no medo, procura argumentos para o medo mas no coração ele não é sentido assim e caso houvesse trabalho de consciência, a pessoa reconheceria que tem até mais coragem do reconhece. Um dos problemas de não reconhecermos o que sentimos, é a tendência que temos de projectar o que sentimos em alguém.
Por exemplo, alguém que sente raiva do seu chefe. Na maior parte dos casos acabamos por descobrir que a pessoa sente raiva do trabalho que está a fazer, da frustração de não estar a fazer algo que gosta e o chefe é só o saco de boxe.
Estes desalinhamentos entre mente e coração, são tensões internas, estes conflitos entre partes, são as nossas quadraturas e oposições no mapa astrológico, são, a longo prazo, o princípio da doença física.
Para restaurarmos o equilíbrio precisamos fazer o trabalho de harmonização das partes envolvidas; o que eu acredito, o que eu penso, o que eu sinto e o que eu faço devem trabalhar para o mesmo fim, devem basear-se nos mesmos valores, devem cooperar umas com as outras. Usarmos os outros para justificarmos os nossos comportamentos e atitudes é apenas fuga ao trabalho de responsabilidade pessoal.
O trabalho de Consciência Pessoal é um trabalho exigente que envolve observação de nós próprios, terapia, consciência das energias que atraímos para a nossa vida, responsabilidade sobre as nossas respostas, saber usar o outro como um espelho do que carregamos dentro de nós; uma mistura entre memórias do passado e um potencial de novo futuro, e, não mais mas muito importante, o conhecimento da nossa história Karmica e das propostas de evolução da vida presente. Tudo e todos os que nos rodeiam estão ligados a esse plano, são protagonistas dos enredos da nossa história e perceber o “papel” de cada um, ajuda-nos a perceber que tipo de danças temos com eles.
Não há muito tempo, a terapia era para os “maluquinhos”, era para os desequilibrados ou doentes mentais óbvios. À conta desse estigma, muitas são as pessoas que ainda resistem a pedir ajuda, apoio, orientação.
No entanto, neste início da Nova Era, o conceito de “desenvolvimento pessoal” abriu a porta às terapias, à Astrologia, à Numerologia, a Filosofia e o ensino dos Valores Universais começam a sobrepor-se ao materialismo desenfreado dos últimos 200 anos. A normalização de comportamentos sociais À custa de abafar as nossas emoções, é substituída pela liberdade e responsabilidade de assumirmos e curarmos as nossas emoções, pelo direito e respeito pela diferença.
O momento presente vem “normalizar” o trabalho de consciência pessoal, vem torná-lo acessível a todos, e cada vez mais iremos associar este investimento interior, a um acto de responsabilidade espiritual, pessoal e social.
Aproveitemos por isso este convite Cósmico do momento e façamos cada um a sua parte de limpar a densidade de que somos responsáveis, a nossa.
Para marcação de consulta, envia um email para veraluz@veraluz.pt com a tua data de nascimento completa com cidade e hora incluídas e disponibilidade.
Bem Hajam!
Vera Luz
#ossosdoofício #terapia #veraluz
 
Photo by Pixabay
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