Feliz Ano Novo! Fechar uma porta & Abrir outra

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Todos os anos no fim do ano é a mesma coisa.
Listas de intenções positivas, resoluções urgentes, promessas de mudanças radicais, vontade de começar umas coisas e de acabar com outras.
A consciência sobre o estado da nossa vida, sobre quem temos vindo a ser, sobre o que queremos e já não queremos, cai pesadamente sobre os nossos ombros naqueles diazinhos que rodeiam o 31 de Dezembro.

Este trabalho de consciência que idealmente deveríamos ir fazendo e atualizando a cada dia ao longo do ano, parece tornar-se emergente nesta data mágica, principalmente para quem se deixa cair em piloto automático o resto do ano.
Mas também acredito que todos já vivemos passagens de ano suficientes para percebermos que as intenções do fim de ano em breve estarão onde caem todas as boas intenções; algures no inferno.

E porque é que afinal isto acontece?
Porque a maioria de nós não consegue cumprir as suas resoluções?
Que força é esta que parece sempre boicotar as nossas vontades e desejos?
Estarão realmente todas as nossas boas intenções destinadas a morrer no inferno?

Levei muitos anos a aceitar que acima das nossas vontades, está a vontade da Vida. Acima do que queremos na nossa vida, está já lá o que precisamos. Acima dos nossos desejos, estão as leis cósmicas. Acima do nosso controle, está o plano sagrado de evolução do nosso espírito, de acordo com o historial Karmico que carrega de vidas passadas.

Todos os dias tenho o privilégio de conhecer diferentes histórias, curiosos enredos, desafiantes tramas e os extraordinários heróis e heroínas que lhes dão vida.
A natureza detetive do meu Sol em Escorpião adora analisar, descobrir segredos, destapar o que está escondido e descobrir o fio à meada que revela a cada um de onde vem, porque está aqui neste momento e para onde vai.
Em todas as histórias sem excepção, encontro dores, sofrimento e perda, mas também coragem, superação e sucessos. A diferença como sempre é a consciência; uns já perceberam a realidade onde vieram parar e estão a aproveitá-la para evoluir. Outros ainda estão a lutar contra ela numa tentativa vã que ela seja perfeita.

Claro que a Astrologia e a Numerologia ajudam muito e mostram curiosidades e informações importantíssimas para relembrarmos quem somos, tanto na vastidão do Universo exterior como no nosso Universo interior. Mas quando aprendemos a ver a realidade pelos olhos do espírito, tudo e todos à nossa volta, reflectem informações valiosas da nossa viagem que nos permitem não só superar os aspectos negativos como potenciar os positivos. A pergunta pertinente é então;

Como é que isso se faz?
Como percebo o que me rodeia?
Como supero os meus desafios?
Como acedo à minha abundância?

Um dos maiores, senão mesmo, O Maior segredo que aprendi e que vejo ser a chave para uma vida mais feliz é a aceitação e rendição da realidade tal como ela é. Atenção que aceitação não significa passividade, permissividade ou anulação pessoal. Significa sim a ideia de que a realidade de cada um, tal como ela está a cada momento, é exatamente o que precisamos para fazermos as nossas aprendizagens e superarmos as nossas questões Karmicas.
Tal como num jogo de Xadrez, nós não lutamos contra o outro ou sequer podemos manipular as suas peças. A proposta do jogo é ser estratega e usar a presença do outro (a Vida) para inteligentemente nos superarmos.

“Tudo acontece por uma razão” não é apenas uma frase cliché que soa bem. Ela encerra toda uma filosofia que implica aceitar que o desafio tem razão para ser, tem aprendizagens escondidas, tem um propósito mais elevado na nossa história. O nosso trabalho não é simplesmente remover o desafio, mas sim aprendermos algo para que ele deixe de ter razão para estar lá.

Esta atitude inteligente implica antes de mais a aceitação de que a nossa existência é um continum permanente onde o presente já é resultado de um passado distante e o futuro onde iremos experienciar as consequências das ações presentes. Implica a consciência das leis cósmicas, implica o respeito pelo plano traçado pelo espirito, implica a responsabilidade pelo uso do livre arbítrio, implica o respeito pela sabedoria interna que nos vai dando sinais de como percorrer a viagem externa.

Infelizmente a maioria ainda desperdiça a sua energia diária a lutar contra a realidade, a manipular os outros, a passar por cima de quem for ou a fazer sacrifícios dolorosos para conseguir que as coisas sejam “à sua maneira” tornando-se assim indisponível e incapaz de fazer as aprendizagens necessárias para que o desafio desapareça. Escusado será dizer que essas ilusões de controle sobre a vida irão gerar as respectivas desilusões. E uma desilusão mais não é do que a vida a mostrar que o que é importante e sagrado não é o que queremos, mas sim o que já é, tal como está.

Obviamente há desafios mais fáceis e outros mais difíceis. Uns que duram umas horas, outros que duram uns anos, outros até que já herdámos de vidas passadas. Importante mesmo é reconhecê-los pois eles foram criados por nós próprios e só nós próprios poderemos alterá-los de acordo com a lei do livre arbítrio.

Uma das razões pelas quais vemos as nossas resoluções fracassarem é precisamente a tentativa de criarmos uma realidade diferente, ideal ou perfeita sem primeiro fazermos as aprendizagens com a realidade tal como ela está.
Não há problema nenhum em fazer objetivos, em desejar melhores realidades e patamares mais elevados e felizes de vida. Mas porque o Universo não permite esquemas de negação ou fuga, primeiro precisamos de “fazer as pazes” com o patamar actual.

É a atitude de humildade, de rendição e de levar entendimento, cura e libertação à realidade real que ganhamos o passe livre para a realidade desejada. Deixo-te algumas sugestões:

Quando sentires vontade de julgar, aproveita sim para veres no outro o que ainda não aceitaste em ti.

Quando sentires vontade de criticar, aproveita sim para trabalhar a tolerância, a compaixão e o amor incondicional pela imperfeição do outro.

Quando sentires vontade de te vitimizares, aproveita sim para usar o teu livre arbítrio e te libertares do que ou de quem te faz sentir mal.

Quando sentires vontade de fugir, aproveita sim para te responsabilizar e aprender algo com o que quer que tenhas atraído para a tua vida.

Quando sentires vontade de te queixares, aproveita sim para agradecer todas as regalias maravilhosas, pessoas fantásticas e coisas boas que tens e que tomas por garantido.

Quando sentires vontade de culpar o outro, aproveita sim para perceber o que estás a projetar no outro que ainda não assumiste em ti e o que tens a aprender com ele.

Quando sentires vontade de apontar as falhas dos outros, aproveita sim para observar e transformar as tuas próprias falhas.

Quando sentires vontade de ofender, magoar ou fazer o mal que te fizeram, aproveita sim para lembrar a lei do karma que a cada um devolve consequências de acções passadas até que aprendamos a fazer o bem.

Quando sentires vontade de desistir, aproveita sim para pores em prática a tua fé, a tua coragem e determinação em manifestares os teus sonhos e desejos.

Quando sentires vontade de chorar, chora. Pára tudo, recolhe-te e chora a tua tristeza, a tua solidão, as tuas desilusões e ressentimentos e aproveita sim para recordar a força e resiliência com que sobreviveste a todas as tuas provas até hoje.

Quando sentires vontade de ceder e te anulares perante o outro, aproveita sim para  seres mais firme nos teus limites e fazeres de ti, a tu maior prioridade.

Que o Novo Ano te traga a maravilhosa oportunidade de fechares em amor as tuas velhas portas para que então possas abrir as novas que te esperam.

Bem hajas!
Vera Luz

 

Imagem de Gerd Altmann por Pixabay

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