Ainda vamos a tempo…

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Conforme vamos crescendo e amadurecendo, vamos perdendo aquele fogo inconsciente da juventude, o deslumbramento pelo físico, pelo superficial e pelo exterior e aos poucos vamos sentindo um fascínio por um mais profundo e valioso estado interior de Ser.

A Vida encarrega-se de nos trazer constantes oportunidades que nos irão fortalecer e enriquecer a nível interior, que irão dar cada vez mais significado à nossa existência e irão aumentar a qualidade da nossa energia em geral.

Aos poucos, de trânsito em trânsito, de transformação em transformação, de episódio em episódio, de encontro em encontro, vamos sentindo uma necessidade de nos irmos aprofundando e preocupando cada vez mais, não com a imagem exterior que passamos, mas com que atitude interior com que nos apresentamos à vida e aos outros.

Estarmos bem connosco passa a ser uma prioridade perante estarmos bem ou parecermos bem aos outros. Fazer a coisa certa para nós, passa a ser mais importante do que seguir o que os outros esperam de nós. Falar a nossa verdade passa a ser mais importante do que alimentar as mentiras.
E quantos de nós não nos contamos a nós próprios ainda tantas mentiras pessoais?

Estar em paz passa a ser sem duvida mais importante do que ter razão. O foco passa a estar de dentro para fora enquanto que na juventude ele acontecia de fora para dentro.

Acredito mesmo que o choque entre gerações vem exactamente dessa diferença ou maturidade com que passamos a abordar o mundo e a vida.

Essa transformação, também chamada de crise da meia idade, que não são mais do que trânsitos astrológicos pelos quais todos passamos entre os 30 e os 45 anos de idade, ajusta-nos as lentes, reordena as nossas prioridades, realinha os nossos valores de uma maneira muitas vezes radical comparada com a pessoas que éramos até aos 30.
Por essa mesma razão quando somos jovens, imaginamo-nos como pais fantásticos e cooperativos com os nossos filhos, incapazes de repetir os “erros” dos nossos pais, mas depois de passarmos por todas essas mudanças e reajustes, já não conseguimos compactuar com essa (agora) ultrapassada visão imatura da vida.

Aquelas transformações, sem que nos déssemos conta, fizeram-nos crescer, amadurecer e de repente vemo-nos a fazer exactamente o que os nossos pais fizeram e facilmente damos por nós a repetir as mesmas frases e a defender conceitos e valores que descobrimos entretanto serem intemporais.

E como os custos destas novas aprendizagens, embora qualitativamente superiores, são muito elevados, dificilmente voltaremos ao estágio anterior. Como dizia Einstein; “A mente que se abre a uma nova ideia jamais voltará ao seu tamanho original”.

Aos poucos vamos percebendo a magia por trás de cada evento e conseguimos observar como os empurrões da vida sempre tiveram a intenção maravilhosa de nos afastar da perspectiva onde tudo é feio, caótico e assustador, onde a energia dominante é a do medo e de nos empurrar e elevar a um patamar onde finalmente conseguimos ver como a vida é bela, inteligente, sábia e amorosa.

É um lento, invisível e discreto ajuste de foco, apenas uma milimétrica mudança de perspectiva, mas que ditará a diferença entre uma vivência de medo e controle ou de amor e abundância.

Sabendo que todos estamos a caminhar para o mesmo destino, falta nos dias de hoje o reconhecimento de quem sabe mais, no sentido de ter vivido mais, de ter passado por mais experiências, de ter ultrapassado mais trânsitos que são afinal os grandes agentes de transformação por trás dos eventos que atraímos. Faltam-nos referências de quem aprendeu truques de como fazer esses ajustes. Faltam mensagens sábias de quem já descobriu alguns segredos de como-ser-feliz ou como-viver-em-paz e qual é afinal a aprendizagem da etapa seguinte daquela em que nos encontramos.

Tal como o pai prepara o filho para a idade adulta, faltam hoje as referências que ajudariam o pai a preparar-se para a velhice ou simplesmente que o ajudassem a dar mais sentido à vida e a ultrapassar os desafios da meia idade mais tranquilamente.

Temos um mundo a abarrotar de conhecimento e informação 24/7 mas que nunca antes foi tão seco de sabedoria de vida…

Bronnie Ware, uma enfermeira australiana de cuidados paliativos, reuniu no seu famoso livro “Top Five Regrets of the Dying” as cinco causas de arrependimento à beira da morte; –

Gostava de não ter trabalhado tanto.
Gostava de ter tido a coragem de expressar os meus sentimentos.
Gostava de ter mantido o contacto com os meus amigos.
Gostava de me ter permitido ser mais feliz.
Gostava de ter tido a coragem de viver a vida fiel a mim próprio e não a vida que os outros esperavam de mim.

Não tenho dúvidas que bem perto da hora de partir, naquele momento em que a nossa energia está já a ser invadida pela elevada frequência de Luz que nos espera do outro lado, facilmente relembramos a razão porque estamos cá ou o propósito que nos levou a encarnar.

Sempre que criamos condições em que conseguimos neutralizar o ego, a Luz entra, a Alma revela-se, o Amor flui.

A meditação ganhou tantos adeptos pelo mundo fora precisamente pelo potencial que tem de nos levar por uns momentos a uma experiência divina onde conseguimos vislumbrar a vida e a nossa existência no seu melhor pelos “olhos” do amor.

Kenneth Ring, autor americano, no seu livro “Mensagens da Luz” vai ainda mais longe na sua pesquisa a nível nacional por todos os que tiveram experienciado a sensação de “Quase-morte” e reuniu nesta obra o testemunho de centenas de americanos oriundos das mais diversas religiões, culturas, estratos sociais ou raças e onde curiosamente vamos encontrar mensagens em tudo idênticas no que refere a uma visão amorosa, tolerante, humilde e sagrada da vida aquando do “outro lado”.

Esse estado de abertura, de lucidez, de consciência expandida que por vezes conseguimos “aqui em baixo” é apenas o inicio do que nos iremos aperceber quando um dia subirmos à Luz. Quanto mais elevados, mais conscientes, mais identificados com o espírito em nós e é precisamente nesse estado que iremos analisar todas as nossas posturas da vida presente e de acordo com a nossa capacidade ou incapacidade de amar, iremos então preparar a encarnação seguinte para que levemos a nossa história um passo à frente.

No nosso estado “normal”, na rotina do nosso dia a dia, identificados com o nosso papel e imagem nas nossas vidas, o ego toma conta. Passamos a olhar o mundo pelos olhos do medo e da competição, esquecemos o nosso propósito espiritual influenciados por um ego céptico, materialista e defensivo. Essa pequena diferença de perspectiva, essa passagem da visão do amor para o medo, essa fome insaciável do ego por razão, atenção, fama, superioridade, poder, etc, acaba por pôr em causa uma existência que de outra maneira seria pacifica e feliz regida pelas maravilhosas Leis Universais.

Seremos então assim tão idiotas que ainda não somos capazes de perceber que a fórmula que nos deram da busca da felicidade não funciona?

Seremos assim tão cegos que não conseguimos ver padrões idênticos nos bisavós, avós, pais e de todos à nossa volta do que afinal funciona e do que não funciona? Do que afinal nos faz felizes e o que nos magoa?

Porque não aprendemos tanto com quem nos inspira como com quem não inspira?

Porque resistimos à simples mensagem de seguir o que faz sentido ao nosso coração e de rejeitar o que nos ofende?

Quando é que vamos começar a ensinar às nossas crianças que a vida é uma sucessão de aprendizagens até chegarmos á grande lição da livre expressão do Amor que Somos em vez de lhes vender a simples mas frágil e incompleta agenda de; curso-casa-casamento(alma-gémea-perfeita-que-virá-satisfazer-todos-os-caprichos!)-filhos-carro-novo para “depois” então serem felizes?

Porque temos um mundo cheio de jovens e adultos todos a sofrer de rejeição, solidão, falta de amor?

Será assim tão difícil concluir que precisamos de uma fórmula nova??

Quando vamos começar a realizar que o Amor revela-se na dádiva e não na carência?

É chocante a energia que investimos na ciência, deslumbrados com a matéria e suas causas-efeitos e provas cientificas tal como a criança que manipula Legos pela primeira vez mas está longe ainda de dar significado à sua existência.

Tão ou mais chocante foi a consequência do abandono da necessidade do ser humano dar profundidade e significado à sua existência e aos eventos que vai atraindo na idade adulta.

É sem duvida chocante a imaturidade emocional, a ignorância espiritual e a cegueira ecológica em que ainda vivemos. As nossas escolhas traduzem-se assim num mundo altamente sofisticado e cada vez mais automatizado, cientificamente avançado, capazes de viajar para Planetas distantes em missões bilionárias e genialmente preparadas, mas cheio de seres humanos a sofrer de depressão e solidão à espera da uma ilusão chamada “Alma-Gémea” e do acumular de lixo material. Matamo-nos em nome de deuses diferentes e mantemos estados de guerra por causa de ilusórias divisões territoriais como se algo fosse “nosso” destruindo assim o único Planeta habitável conhecido até ao momento.

Acordemos. Se ainda estás a ler isto ainda estamos a tempo. Usemos a liberdade que temos de escolher fórmulas diferentes de como queremos viver, de como queremos tratar o próximo, de como queremos tratar os animais e o nosso Planeta.

Que cada um de nós assuma a responsabilidade em manter saudável e amar o pequeno quadradinho em que vive e interage. O Universo e a Mãe Terra agradecem…

Ainda vamos a tempo…

Bem hajam!

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