Sem desconforto, não há mudança!

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Mais cedo ou mais tarde a rotina superficial começa a esgotar-nos e a necessidade de profundidade e de dar sentido à nossa existência toma conta, e uma insatisfação terrível irá levar-nos a abrir portas até aí fechadas. Mestres, gurus, sábios, estudantes e místicos ao lingo da história, seguindo o seu apelo por transcendência, dedicaram as suas vidas à metafísica em busca de respostas e sinais que comprovassem esse “algo mais”, que viesse explicar quem somos, de onde viemos e o que estamos cá a fazer. Hoje em dia esse apelo está mais vivo do que nunca e todos nós, um por um, num momento mágico da nossa história, iremos sentir esse chamamento.

Quase todas as antigas sabedorias através das várias religiões ou mesmo correntes esotéricas nos falam de mensagens idênticas; existe uma energia inteligente que mantém o mundo físico. Ou seja o que é um aparente caos esconde uma ordem maravilhosa. Essa força, commumente designada por Deus ou simplesmente Energia é dual, ou seja, composta de dois polos opostos que buscam o seu equilíbrio permanentemente. Nas nossas vidas essas forças são conhecidas por ego e alma, razão e emoção ou personalidade e espírito e é delas que nascem as nossas tensões internas.

Sem essas tensões não haveria evolução. Faz parte da proposta de evolução fazer bom uso do nosso livre arbítrio por isso tanto o espírito como a personalidade vão viver as suas experiências, que não raras vezes nos desconectam desse propósito. Tudo faz parte. Até porque para validarmos a luz e o que nos faz sentido, precisamos ter em nós referência da escuridão e do que não faz sentido, certo?

Quando começa o caminho de volta a casa, perdidos algures no meio de um deserto onde fomos parar sem consciência alguma, vamos precisar de pistas, sinais, mapas, e principalmente, religarmos a nossa bússola interna que melhor do que algo ou alguém, sabe o caminho de volta.

A intenção do meu trabalho é precisamente apoiar e incentivar esta viagem de evolução espiritual, tanto na sua vertente interior como na proposta de a reconhecermos e vivermos no exterior. Ou seja, é dentro de nós que a cada momento vamos processando as nossas vivências externas e as vamos usando, ou não, para chegarmos mais perto de quem somos e também do Divino.

Evoluir não é um processo fácil, limpo, previsível ou linear. É uma viagem complexa, por vezes maravilhosa e por vezes violenta, que implica transformações profundas que têm como objectivo o resgate ou reconhecimento do nosso espírito e do seu propósito de experienciar e reconhecer Deus em tudo. Uma das maiores frustrações do ser humano é viver ainda na ilusão de que seguir certos rituais e comportamentos lhes garante a felicidade ou um lugar no céu e obviamente que é uma questão de tempo até descobrirem e se renderem às verdadeiras regras do jogo.

Por essa razão, o processo de evolução não é tanto o que viemos conquistar lá fora no mundo que foi assim que nos perdemos do nosso caminho, mas muito mais o que temos de libertar que nos impede de perceber o que afinal já somos; Luz. Representantes do Grande Espírito numa contínua viagem de experimentação. É dessa permanente experimentação que vamos integrando a dualidade e reencontrando o caminho de volta a casa. Quando alinhados e conscientes do nosso caminho percebemos que a abundância facilmente se atrai, desde que mantenhamos a nossa energia equilibrada e elevada.

Deste ponto de vista, todos os planos e desejos da nossa personalidade tornam-se secundários, para não dizer obsoletos, perante a grande intenção de evolução do espírito e das mecânicas energéticas. Por não ter consciência dessas mecânicas, o formato antigo levava-nos a lutar, a sofrer e a controlar as situações de maneira a criar abundância unicamente material, que depressa se perde por ser materializada da maneira errada e desalinhada com as intenções do espírito.

Só pela visão do espírito podemos então entender que os sinais, ajudas, sincronias e eventos que iremos atrair irão sempre trabalhar a favor da intenção do espírito mesmo que para isso tenham de ir contra os planos da personalidade. A abundância é quem somos e temos o poder de a materializar, mas teremos de aprender a fazê-lo de dentro para fora e não o contrário.

Se vivemos inconscientes em relação à intenção maior da vida e se ainda oferecemos resistência, por ignorância, às suas propostas de evolução, mais cedo ou mais tarde esses movimentos irão ser sentidos como caóticos, frustrantes, dolorosos e até injustos como se fossem castigos e injustiças de Deus ou pragas de azar.

Infelizmente a ignorância impede-nos de ver a verdadeira, maravilhosa, inteligente e amorosa intenção que se esconde por trás do aparente caos e até que haja uma abertura e mudança de consciência, a vitimização irá tomar conta e iremos projectar as nossas dores em Deuses e bodes expiatórios à nossa volta.

Tal como um dia o ser humano acreditou que os trovões resultavam da zanga dos Deuses, aos poucos vamos também percebendo que os movimentos da vida, tanto no que nos chega como no que nos é levado, e a sua constante proposta de mudança, obedece afinal a planos inteligente e amoroso muito maiores, não só individuais como globais.

Claro que para os vermos e percebermos temos que trocar as lentes, tal como o fazemos para ver ao longe ou ao perto. Não são os olhos da personalidade e dos seus interesses egoístas que vão entender e aceitar as intenções do espírito. Mas cabe-nos a nós e ao nosso livre arbítrio a quem vamos ouvir e seguir.

Para entendermos esses planos do Grande Espírito, precisamos então usar as lentes certas, reaprender as linguagens ancestrais simbólicas, precisamos reconectar com a nossa sabedoria interna e estudar os grandes mestres que nos foram deixando pistas para a nossa viagem.

A Natureza, a Numerologia, a Astrologia, a Mitologia, a Simbologia são fontes maravilhosas de informação, capazes de contar muito sobre a história do nosso espírito e das suas intenções presentes. Sobre o que já trazemos connosco para a vida presente e que energias viemos desenvolver e resgatar ao longo da nossa vida.

Quando estudados a fundo, percebemos que estas “ciências” ou mensagens simbólicas acompanham o movimento dos tempos, dando-nos então não só informação valiosa sobre quem fomos no passado, quem somos no presente e como aproveitar os ciclos para nos tornarmos quem viemos ser.

Todas estas informações, valiosíssimas para quem já despertou para a sua viagem pessoal e já se responsabilizou pela sua história e estado da sua energia, podem ser estudadas e percebidas tanto na Astrologia no estudo do mapa astrológico na posição dos planetas e seus trânsitos como na Numerologia através do mapa numerológico onde está codificada a proposta de evolução e os ciclos em que essa evolução irá acontecer.

Estudar, observar e sentir a informação escondida em toda a simbologia destas ciências permite-nos aceder a uma visão verdadeiramente mágica da vida onde percebemos que o mundo invisível esconde uma inteligência maior do que alguma vez poderíamos pensar. Aliás é por lhe ser inacessível que a nossa mente nos leva a duvidar e a rejeitar certos conceitos, o que obviamente não os torna irreais por isso.

O lado negro da ciência trouxe com ele a arrogância do cepticismo, a pseudo-sabedoria do ego, o controle e obsessão com a matéria, a resistência ao invisível e a perda de significado espiritual da nossa existência e as consequências estão à vista; violência, stress, abusos de poder de toda a espécie, desconexão interior e com a fonte divina, materialismo, crise de valores, depressão, etc.  O mais maravilhoso é percebermos que tudo, inclusive este lado negro, faz parte do plano maior.

Cada um de nós, independentemente do lado da balança em que se encontra, mantém consigo as duas maiores dádivas cósmicas; o livre-arbítrio e a consciência. A capacidade de escolher o rumo da sua história. A possibilidade de evoluir e libertar o que já não faz sentido. A liberdade de poder seguir o que apenas a si lhe faz sentido. Mas obviamente e tal como tudo, tem um preço. Envolve uma troca. Exige de nós um trabalho interior profundo. Se a proposta não é percebida de maneira a ser feita de maneira fluida, acaba por ser feita à força, pela violência e muito mais demoradamente do que seria ideal.

A vida tem tanto para nos dar, mas pede também muito em troca; humildade, consciência, coragem, poder pessoal, compromisso, rendição, sabedoria, amor incondicional…
Se tivéssemos consciência que temos o potencial de manifestar abundância, pagaríamos de bom agrado esses preços e lá chegará o dia em que com essa consciência iremos viver o tão ansiado paraíso na Terra.
Enquanto a crença na escassez for mais forte do que a crença na abundância, enquanto o egoísmo ganhar perante a dádiva, enquanto a ignorância nos distorcer a realidade e nos impedir de ver a magia que nos rodeia e as leis universais, enquanto o medo se esconder por trás do amor, não conseguiremos manifestar a abundância de que somos capazes.

Abençoemos então a perda, a dor, a mudança, a pressão, o desconforto, o medo, os empurrões e tropeções que nos obrigam a sair das zonas de (des)conforto e a procurar algo melhor, ou seja, evoluir. Sem isso, viveríamos numa eterna paz podre, sempre aquém do nosso potencial.

Bem hajam
Vera Luz

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