Quem está a mandar na tua vida?

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A desconexão espiritual-emocional em que vivemos e a excessiva identificação com o mundo material e a necessidade de viver de acordo apenas com padrões de perfeição social simplesmente inatingíveis, está a criar um dilema dentro de nós.

“Portugueses compram 23 mil caixas de antidepressivos por dia. Venderam-se no ano passado 8,5 milhões de embalagens. Depressão e ansiedade são os principais problemas nacionais. – Portugal – DN”

Ninguém nos ensinou a encararmos a tristeza, os acontecimentos menos agradáveis do dia a dia, as perdas ou mesmo doenças físicas como simples sinais internos ou mesmo sagrados de propostas de mudança.

Nem sempre essas mudanças são fáceis e porque na maior parte das vezes elas irão por em causa a dita imagem perfeita, acabamos por ceder aos fármacos e vivemos drogados precisamente para abafar essas preciosas mensagens que continuamente nos dizem o que precisamos mudar nas nossas vidas para alcançar a nossa felicidade interior.

Este é o dilema do presente:

ter que continuamente escolher entre a felicidade interior e o ser “perfeito” exterior.

A imagem social perfeita que esconde o espírito doente.

A riqueza material que esconde a falta de amor próprio.

O orgulho que esconde a rejeição e a solidão.

Enquanto o ser exterior e o papel social for mais forte no que toca às nossas escolhas, o nosso ser interior, o nosso espírito simplesmente não tem hipótese de se revelar, ressentindo-se e gastando a sua maravilhosa energia em maçudas tarefas e tóxicos relacionamentos, sem possibilidade de fazer a devida compensação energética.

A sociedade em que vivemos trocou o prazer do espírito e a autenticidade humana pelo sucesso social e pelos bens materiais.

Salvo, claro está, todos os casos de doença mental que precisam tanto de medicação como de acompanhamento médico permanente, tenho observado que a chamada depressão comum de que muitos sofremos no dia a dia, a chamada doença moderna, a perda de ânimo, de energia e de alegria está directamente ligada ao esforço com que fazemos certas tarefas ou que mantemos certos relacionamentos que nada têm a ver com a nossa história pessoal e com as aprendizagens e talentos únicos que cada um de nós carrega dentro.

A sociedade de hoje não preza a diferença, não honra a originalidade nem louva quem se atreve a ser único e a seguir o seu caminho. A proposta social pede uniformidade, conformismo e o seguimento de regras, independentemente de onde elas vêm.

Por exemplo: uma apaixonada pela comida e pela cozinha que foi parar a advocacia e ao ambiente austero dos tribunais empurrada pelos pais como sendo uma carreira “decente” mas que vai ser tão emocionalmente e energéticamente miserável como uma cozinheira que se vê presa às panelas de um restaurante, pois resistiu à sua jovem ideia de um curso de direito apenas por falta valorização pessoal e familiar e ausência de consciência do seu potencial.

No entanto, ambas seriam as mulheres mais felizes e realizadas e sem sinais de depressão alguma caso se permitissem trocar de lugar. Caso se atrevessem a ouvir os seus interiores e a proporcionar-lhes lá fora no mundo o espaço que esses sonhos precisam para revelar a sua abundância.

Infelizmente ninguém nos ensinou a sonhar. Ninguém nos disse que a chave da abundância está precisamente na alegria e no prazer com que desempenhamos as mais pequenas e por vezes aos olhos do mundo, insignificantes tarefas. Mas são essas pequenas coisas que fazem a grande diferença.

Da mesma maneira que temos a estatística do problema, porque não fazer a estatística da solução?? ou pelo menos das possibilidades de solução.

Como sabemos que as farmacêuticas não estão interessadas em resolver a depressão a ninguém, teremos que ir buscar a antiga e esquecida mas poderosa ferramenta que têm o poder não só de nos fazer sair desses estados leves depressivos mas de nos devolver a uma vida cheia de significado e por isso vivida com alegria:

– A Responsabilidade!

Principalmente a responsabilidade por tudo o que está na nossa mão mudar a favor da nossa felicidade pois é nessas escolhas que afirmamos cósmicamente o que permitimos e o que não queremos.

Nos tempos de correm, ser feliz ou estar depressivo já não estão apenas na mão da sorte e do azar ou mesmo apenas da biologia.

O gigante crescimento do numero de vendas de livros de espiritualidade e auto ajuda e o crescimento da área do desenvolvimento pessoal mostram que quando finalmente assumimos a responsabilidade pela nossa vida e nos atrevemos a fazer difíceis mas essenciais escolhas de qualidade, os resultados são imensamente positivos e o fruto dessas mesmas escolhas.

Comecemos então não só a meditar mais, a ouvir a nossa vozinha interior (sem as típicas desculpas que lhe damos para justificar a nossa cobardia) e analisemos à nossa volta as possibilidades de cura:

Como vivem afinal as pessoas que são felizes e se sentem bem com as suas vidas?

Que tipo de escolhas fazem?

Que obstáculos já tiveram que enfrentar?

Que filosofia de vida seguem?

De que maneira não se conformam?

Que tipo de trabalho têm?

Como se tratam a elas próprias?

Como te sentes ao pé delas?

De que maneira elas te inspiram?

Como respondem aos desafios mais difíceis?

Como lidam com as diferentes pessoas no mundo?

Como vivem as sociedade que têm baixos níveis de depressão?

As minhas humildes e pequenas estatísticas têm-me mostrado que a actualização de crenças como a simples lembrança da nossa origem divina e do propósito espiritual, a lei da reencarnação e a dinâmica kármica vista pela perspectiva astrológica, só por si já tem o poder de mudar radicalmente e numa sessão só a energia geral de quem se encontra perdido e numa espiral negativa.

Os budistas reforçam mesmo que a ignorância é um dos três venenos da humanidade.

Acredito que o desespero nos leve a buscar soluções que por vezes se revelam piores que a própria doença. No entanto no tempo da informação de hoje já não é ignorante quem não sabe ler mas sim quem sabe mas se recusa.

Porto tudo isto deixo te a pergunta que talvez nem nunca tivesses feito até hoje;

– O que é mais importante na tua vida? A felicidade interior ou o ser “perfeito” exterior?

Sei bem que nem sempre é fácil conviver com os dois lados e que muitas vezes teremos que ceder, entrar em acordo, fazer compromissos e está tudo bem pois a isso chama-se viver na dualidade.

Mas para mim, a depressão instala-se apenas quando o ser interior simplesmente não tem lugar ou nem sequer está consciente.

Depois de iniciado o nosso processo de consciência, se o nosso interior tiver espaço para se revelar na sua diferença, na sua sensibilidade, na sua originalidade e em tudo o que o torna único, eu acredito que ele irá viver feliz em nós sem depressões nem necessidade de drogas..

Bem Hajas e muita coragem para seres quem és!

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