Qual foi a última vez que fizeste algo pela primeira vez?

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Tal como na escola temos várias cadeiras e experiências variadas e mudamos de ano, escola, colegas e assuntos que sempre trazem novas aprendizagens, assim deveríamos fazer pela vida fora.
Por diversas razões culturais e outras, acabamos por nos tentar pela ilusória segurança material que a rotina parece oferecer e acabamos por adoptar a filosofia sendentarista em troca do espirito de aventura e crescimento tão essenciais ao nosso bem estar e evolução espiritual.
Embora sejam duas filosofias aparentemente opostas, a verdade é que são apenas faces opostas da mesma moeda. A questão não está em termos que escolher, mas sim em harmonizar estas duas partes que todos carregamos dentro de nós; a necessidade de proteção e segurança e a necessidade de sair da zona de conforto em busca de uma nova aventura.
Comecemos então por analisar qual delas temos em excesso e falta e de que maneiras nos sentimos.

Onde a tua zona de conforto já se tornou uma “paz podre”?

De que maneiras resistes ao novo e diferente?

Serás tu aquela pessoa que não para de maneira nenhuma em lado nenhum e que permanentemente boicota o silêncio e o trabalho interior?

Consideras-te uma pessoa sedentária ou aventureira? Estás feliz com a tua escolha?

Qual foi a última vez que fizeste algo pela primeira vez?

Vês os desafios como problemas a evitar ou oportunidades a abraçar?

A falta de trabalho interno leva muitos a ignorar por completo quem são ou que filosofia de vida estão a seguir, tornando-se assim presas fáceis da corrente da maioria, deixando-se arrastar para estilos de vida e realidades que nada têm a ver com a sua essência.
Enquanto não percebermos o que a vida quer de nós, não nos iremos conseguir alinhar com o seu propósito maior e podemos até cair no risco de estar a fazer algo que é contra natura e que nos impede de evoluir tal como por exemplo o sedentarismo.

A vida é uma viagem de experimentação da dualidade espiritual. A impermanência é uma constante a que nunca poderemos fugir. Tal como a gotinha de água se solta do Oceano, algures no tempo o nosso espirito individualizou-se e atreveu-se a percorrer uma aventura pessoal no mundo material, pois só assim poderia conhecer-se nas suas várias facetas. Desde o inicio que foi preparada uma viagem pessoal, solitária e pela qual ele seria sempre responsável tanto pelas experiências que iria fazer como por devolver à Fonte um espirito cheio de energias já equilibradas entre si.

A dualidade do mundo material e a lei da impermanência irá exigir de nós constante movimento como se vivêssemos em cima de uma balança com um pé em cada prato e onde os movimentos da mesma estão inteligentemente ligados ao Todo.
Fugir, evitar ou boicotar estes movimentos irá impedir-nos de fazer os equilíbrios internos a que o nosso espirito se propôs. E quando, com o nosso livre arbítrio escolhemos pela segurança e impedimos que o mesmo faça as suas experiências e processos de transformação, a depressão instala-se.

Paradoxalmente a maneira mais fácil de encontrarmos a VERDADEIRA estabilidade, e não a paz podre, é precisamos assumirmos a postura aventureira de permitirmos que a vida aconteça, seja trazendo ou levando energias, experiências e pessoas que precisamos para, ao longo da vida, irmos equilibrando a nossa balança interna. O verdadeiro sentido de segurança será sempre antes de mais um estado de ser e não um estado de ter.

Viver desta maneira exige de nós um compromisso com o nosso espirito e com o seu proposito de experienciar a matéria e descobrir o equilíbrio dos polos em cada experiência. Se o foco ou prioridade do nosso bem-estar ainda está no exterior, em algum sitio, em alguma experiência ou em alguém, não conseguiremos agradar gregos e troianos e mais cedo ou mais tarde iremos comprometer as nossas necessidades individuais em prol das sociais, familiares, profissionais com os respetivos elevados preços.

Sair da zona de conforto não implica necessariamente ir porta fora ou cortar laços repentinos. Tão ou mais importante do que o movimento exterior é o movimento interior. Embora sair da zona de conforto a nível exterior seja essencial para despertar em nós emoções e estados de espirito novos, muito mais desafiantes são as propostas de saída da zona de conforto interiores.
Por exemplo fazermos o que nunca fizemos. Comermos o que sempre negámos. Procurar amar alguém que sempre criticámos ou não gostamos. Furar velhos medos. Ir onde nos assusta. Superar resistências diárias. Curar velhas feridas. Dizermos o que nunca dissemos. Vermos a mesma realidade sob novas perspectivas. Viajar para uma cultura diferente. Questionar a nossa razão e verdades absolutas. Por em causa o que nos ensinaram e tudo o que considerámos até aqui como verdadeiro.

Resgatemos então a nossa criança interna. Procuremos viver no mundo tal como uma grande escola onde iremos aprender, conviver, desafiarmo-nos, relacionarmo-nos, aprender sobre amizade, autoridade, sabedoria de vida. Aprendemos a aceitar a mudança, as trocas de lugar, de sala, de colegas, de temas e assuntos. Procuremos a lição e façamos os trabalhos de casa para que no fim de cada experiência, possamos passar ao nível seguinte, abraçando assim o espirito de aventura tanto dentro como fora de nós.

Bem hajam! <3 Vera Luz

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