Ode aos tristes

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Bem haja aos que nos deitam abaixo.

Bem haja aos que constantemente nos testam as nossas reacções, que nos provocam ao limite, que nos picam nas feridas e nos fazem disparar o que ainda de pior há em nós.
É nesses momentos que é trazido à Luz tudo o que ainda vivia no escuro. Tudo o que ainda nos condicionava e impedia de viver uma vida livre e abundante. Tudo o que estava preso nas nossas catacumbas.

Bem haja aos negativos que nos permitem ver de fora o que não mais queremos para nós. Bem haja aos pessimistas que nos permitem reforçar a esperança e a Fé em acreditar que tudo vale a pena ser vivido com um sorriso e que algures, alguém está a preparar um desfecho melhor.

Bem haja aos cépticos que nos relembram o tempo em que também nós vivemos no escuro, na descrença, naquele “breve” momento da nossa história espiritual em que desligamos da fonte pois o cepticismo também é algo a experimentar em todo o leque de sensações possíveis.

Bem haja aos arrogantes que nos ajudam a manter o foco nos que é realmente importante e nos testam o centro ao limite.

Sem a ajuda de todos eles, sem esses lembretes, sem essas personagens a obrigar nos a abrir os nossos caldeirões, essas energias iriam manter-se estagnadas, lamacentas, podres pela negação das mesmas ou simplesmente falta de coragem de as limparmos sozinhos.

Por isso, baixemos as espadas quando estamos frente a frente com eles. Lembremos que aqueles “dragões” que vislumbramos não são mais do que projecções activas dos nossos medos e dos nossos fantasmas interiores.
São eles que, por vezes violentamente, nos vêm convidar a agir de uma nova maneira, a fechar ciclos velhos e a neutralizar aquele passado de uma vez por todas.
Sem eles não teríamos a oportunidade de o fazer.
Sem eles nem saberíamos quem somos e viveríamos ainda na ilusão que somos aquilo que a nossa mente nos faz acreditar; Perfeitos e Imaculados!

São eles, em toda a sua diversidade emocional que nos trás a eterna memória de que afinal somos todos iguais, carregamos todos as mesmas emoções, estamos todos a aprender as mesmas lições.

Bem haja assim a essa força inteligente e amorosa que não desiste do nosso equilíbrio e que sempre nos irá enviar agentes de transformação exteriores até que encontremos o equilíbrio interior.

A ‘perda’ não tem mais nem menos do que essa intenção!

Sabendo então que tudo é amor, bem hajam tanto aos dragões nas nossas vidas, como aos momentos em que a vida nos pede que sejamos dragões nas vidas dos outros…

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