O pânico e as crises de ansiedade

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Tanto pela observação em diversas pessoas como na minha própria experiência, acredito que o pânico ou uma crise de ansiedade, são sintomas extremos de excesso de controle sobre a nossa pessoa, sobre a vida, sobre os acontecimentos e a vida em geral.
Não é propriamente o controle que nos causa este grau de ansiedade mas mais a ideia ou constatação de que de facto não controlamos nada e no caso dos ataques de pânico, a incapacidade óbvia que temos de controlar até o nosso próprio corpo.

O excesso e a necessidade de controle escondem a mais pesada e condicionante das emoções humanas; o medo. O medo de sofrer, o medo de perder, o medo de ficar sem, o medo de perder o controle, e tantos outros medos. Ou seja, o medo é o oposto da segurança e da coragem, é a emoção negativa predominante que sentimos quando vivemos desconectados da Ordem Maior e da certeza de que tudo o que acontece tem um propósito, uma razão, uma intenção, aprendizagens e timings perfeitos que não estão na nossa mão controlar.

É muito comum a ansiedade ou as crises de pânico fazerem parte da vida de todos os que, pelas mais variadas razões, tiveram infâncias instáveis, relações com pais desafiantes, mudanças constantes de ambiente, perda de pessoas, falta de amor e segurança, abandono e ausência de estruturas familiares estáveis e seguras. Embora todas essas experiências façam parte da história Karmica dos envolvidos e estivessem já previstas acontecer, valiosas aprendizagens se escondam nesses eventos.

Uma das aprendizagens ou propostas mais comuns neste tipo de evento é o resgate da segurança interior, é o convite a formar uma sólida estrutura interna apoiada no amor próprio e na autonomia pessoal que algures foi perdida em apegos externos e por isso mesmo a vida vem retirá-los. O pânico surge quando esse apegos são colocados em causa.

A partir do momento em começamos a alimentar o medo, o nosso ego assume o controle da nossa vida numa busca incansável em manter o que temos ou quem somos, a máscara que usamos, a nossa zona de conforto, as pessoas que iludidamente nos fazem acreditar que representam a nossa segurança, fazendo-nos esquecer completamente que a vida é um fluir constante de experiências, de pessoas, de eventos, de emoções, longe de alguma vez serem controlados na totalidade.

Aliás, os nossos limitados óculos 3D são incapazes de nos mostrar a ordem perfeita e programada que veríamos com uns óculos 5D por exemplo, como cada um está a atrair para a sua realidade exactamente o que precisa para evoluir, alinhado com as suas frequências energéticas. Nem mais, nem menos.

Quem resiste ao movimento natural de impermanência e constante mudança a que a vida convida, cai no excesso de controle de tentar a todo o custo manter as experiências, as pessoas, os eventos, as emoções sob controle, claro que sem sucesso nenhum.
A experiência humana inclui sempre eventos e aprendizagens que nos devolvem o espelho da nossa natureza dual, Luz e sombra, assim nos ensinaram as antigas civilizações do Oriente.

Foram as teorias religiosas medievais que nos iludiram com os seus conceitos de perfeição, bondade, sacrifício, injustiça e vitimização e é delas que o nosso medo se alimenta. A cura acontecerá quando nos alinharmos energeticamente e nos responsabilizarmos pelos nossos equilíbrios emocionais

Quando chegamos a um momento na nossa vida em que, por escolha ou por força, desistimos de controlar seja o que ou quem for, passamos a estar em contacto com as únicas coisas que realmente podemos mudar ou controlar;
– o nosso trabalho de equilíbrio interior
– a maneira como respondemos à vida.

A maneira como usamos o nosso livre-arbítrio para escolher o que queremos e o que não queremos para nós, escolhas essas que não podem jamais estar dependentes de ninguém ou voltaríamos à prisão do medo.

Felizmente ou infelizmente, dependendo da perspectiva, quanto mais controle exercemos sobre a vida ou sobre os outros, mais a vida nos provoca situações de descontrole e situações caóticas para que nos desliguemos de vez do que está fora de nós e nos liguemos a essa fonte de paz e poder interior.

Ligados a esta fonte de amor interior conseguimos permitir que o caos aparente do exterior continue a acontecer mas ao mesmo tempo escolhemos manter uma atitude de aceitação e até de gratidão perante os mesmos, aprendendo a confiar que o que quer que estejamos a passar ou a atrair, é nosso e serve o nosso crescimento e evolução espiritual.

A meditação, ou simples momentos de paragem, de contemplação da vida e da nossa postura, de ligação à natureza são por isso indispensáveis para atingir estes novos estados de paz interior.
A Astrologia ou a Numerologia também nos devolvem essa aceitação quando percebemos que tudo o que estamos a viver está codificado em símbolos sagrados representados nos nossos mapas desde o momento em que nascemos.

O Pânico não é mais do que o momento crítico em que a vida nos mostra a nossa impotência. Através de um acontecimento caótico ou imprevisto percebemos a bem ou a mal não há nada a controlar, que a única saída é a rendição à vida e a essa maravilhosa e sábia força maior. É a maneira que a vida tem de mostrar todo o seu poder e de nos convidar a fazer a tão essencial rendição.

A terapia e o processo de consciência da nossa viagem pessoal ajudam-nos a resgatar o poder que temos de iluminar essa ausência momentânea de luz … ajuda-nos a sentir e aceitar que não podemos controlar tudo .. e dessa perspectiva superior rendemo-nos à ideia de que tudo está certo, no momento certo, da maneira certa. É nesses momentos limite que a vida nos vem convidar a entregar a nossa ridícula necessidade de controlar a vida e nos pede que nos religuemos ao poder maior.

Na próxima crise lembra então que aquele tão desafiante sintoma tem uma intenção positiva. Que é apenas a maneira biológica e energética que o nosso corpo tem de descristalizar e limpar toda a energia do medo e do controle que carregamos connosco e por isso torna-te um simples observador do mesmo. Uma das caratirísticas dos ataques de pânico é que embora possam ser frequentes eles têm uma duração curta. Por isso enquanto ele dura, permite que essa limpeza aconteça, que essa lapidação cósmica se faça.

Porque o controle nasce da nossa mente, procura não alimentar as milhões de questões que sempre surgem na nossa cabeça nestes momentos;
– vou cair!, vou morrer!, porquê eu?, quando é que isto passa?, não saio mais de casa!, etc.

Faz exercícios que te desviem a atenção da mente e que te religue ao corpo;
– Toca com carinho na tua pele
– Acompanha a respiração e a viagem do oxigénio para dentro e para fora. Enquanto observas a respiração canaliza energia inspirando paz, rendição e aceitação e expira controle, medo e ansiedade. Se te ajudar dá cores a cada energia.

Procura algo com cheirinho que gostes e que te dê prazer como por exemplo perfume, baunilha, chocolate. Sopra para longe qualquer pensamento dominador, controlador e fica no aqui e no agora.

Se conseguires, fecha os olhos e lembra que tu não és aquele corpo que está a viver um difícil processo de desentoxicação mas sim o espírito que nele habita. Por isso enquanto o corpo purifica, transporta-te mentalmente para uma paisagem maravilhosa e ancora-te lá até que a paz volte ao corpo.

Por fim lembra que não és só tu a passar por isto, saber pedir ajuda ou simplesmente partilhar é humano e saudável, que isto faz parte do teu processo de crescimento e que irás acompanhar e esperar que um dia esteja concluído.

Vera Luz

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