Mudar o que está dentro para mudar o que está fora

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Como podem observar à vossa volta, e o sabem pela vossa própria experiência, maior parte das questões mais delicadas da nossa vida envolvem relacionamentos. Desde o relacionamento amoroso, entre irmãos, pais, filhos, vizinhos, amigos ou outros, mais cedo ou mais tarde todos, de alguma maneira ou outra, nos iremos nos deparar com injustiça, frieza, traição, insegurança, medo, violência, abandono, rejeição e muitas outras emoções menos agradáveis que sentimos nos relacionamentos mais próximos.

Não se trata de sorte ou azar, de circunstancias exteriores, de dinheiro, doença ou da presença de um terceiro elemento, o aparente “fracasso” ou as dificuldades e dor que sentimos. Temos que começar, de uma vez por todas, a aceitar que o que quer que estejamos a passar, a viver ou a atrair para a nossa vida está directamente ligado ao estado emocional em que nos encontramos dentro.

Se temos revolta atraímos pessoas e eventos com a mesma revolta e o mesmo se aplica a qualquer outra emoção como o amor por exemplo. Por mais diferentes que sejam as nossas histórias, as pessoas, os contornos sociais, económicos, todos temos em comum a vivencia interior das mesmas emoções e a procura idêntica da mesma paz, do mesmo amor e da mesma aceitação.

Fomos ensinados e incentivados a viver deslumbrados com o mundo exterior, com os outros, com as aparências, com as coisas, com as mascaras. Chegamos mesmo ao ponto de acreditar que mudando, manipulando, comprando o exterior ao nosso belo prazer, que dessa maneira iríamos arrumando a nossa vida para finalmente podermos ser felizes. Fazemo-lo com as coisas fazemo-lo com as pessoas.

Todos sabemos, nem que seja a um nível mais profundo do que o simples mental, que o caminho da liberdade e da felicidade não é de todo por aí. Esse novo caminho que todos andamos a aprender a trilhar, é um caminho de aceitação de que o exterior não é mais nem menos do que um espelho do que trazemos dentro, e que se mudarmos o que temos dentro, automaticamente mudamos o que está fora. Mas a mudança que sabemos que temos que fazer não é fácil. Implica assumir responsabilidade pelo que nos está a acontecer. Implica aceitar e acreditar na invisível Lei da Atracção que diz que atraímos o que carregamos dentro, seja amor, raiva, rejeição, carinho ou violência estejam estas energias conscientes ou inconscientes, foram atraídas pela energia idêntica que está dentro de nós. Nem mais, nem menos !

Que afinal as emoções que sentimos com aquela pessoa, evento, circunstancia complicada, dolorosa, injusta, são nossas e de mais ninguém. Que algures cá dentro de nós, num nível ainda inconsciente, nós próprios emanamos aquela mesma energia. Implica pormo-nos em causa, tomar consciência das emoções que carregamos dentro e das mudanças que temos que fazer sem as projectarmos em ninguém.

Vou dar um exemplo para que possam entender isto melhor.
Vamos imaginar que duas amigas caminham pela rua.
Uma é gorda a outra é magra.
Uma voz ao longe grita “é gorda como uma baleia” .

Quem acham que irá sentir a dor do comentário ? Será que a dor vem do homem que gritou ? Ou será que a dor não existia já dentro dela ?
A reacção normal é reagir e projectar a dor no outro que é visto e julgado negativamente.
Mas se ela aceitar o comentário, irá ter que aceitar o conteúdo ou mensagem do mesmo. Talvez tenha uma crise de tristeza/revolta onde se poderá dar uma tomada de consciência do estado em que se encontra e daí poderá sair uma nova força para mudar certos padrões que a levaram àquele estado. 1 mês depois ela já perdeu 5kg e ao passar na mesma rua ela irá sorrir e interiormente agradecer ao desconhecido pela transformação que ele sem saber proporcionou. Escusado será dizer que se ela mantiver o compromisso com as suas mudanças os comentários que irá atrair irão mudar também. Porque não fazer isto com tudo o que temos à nossa volta ?

Não há histórias sem uma aprendizagem ou mensagem por trás. Quanto mais depressa chegarmos a ela, mais depressa quebramos esses padrões Kármicos que nos mantém presos às mesma situações, muitas vezes uma vida inteira. Infelizmente demoramos alguns anos na nossa vida até gastarmos todos os cartuchos onde culpamos, julgamos, nos vitimizamos e manipulamos os outros e começamos a aceitar que o outro não era mais do que o meu próprio espelho inconsciente e por isso estava na minha vida e que se queremos ser felizes cabe-nos apenas a nós fazer as mudanças que temos que fazer.

Aprendemos um pouco à força que se é amor que queremos receber, então é amor que temos que dar. A vida não é algo que acontece lá fora, no emprego, na rua ou seja onde for. A vida está a acontecer o tempo todo dentro de nós através das nossas emoções e são as nossas percepções, intuições, aprendizagens e mudanças que nos permitem ir vivendo e atraindo os mais variados tipos de eventos e relacionamentos. Pessoalmente, já o observei milhares de vezes na minha vida e acredito que todos nós já o percebemos de alguma maneira. Quando começarmos realmente a aceitar este conceito, a pô-lo em prática, a ensiná-lo às nossas crianças, poderemos realmente dizer que estamos a ajudar a mudar o mundo. Guerras, poder, bombas, atentados, roubos, invejas e muitas mais outras atitudes, são ainda essa energia velha a querer manipular fora, o exterior, os outros, a vida. Basta olharmos à nossa volta para percebermos que esse sistema não funciona mais, já não faz sentido nenhum.

Temos dentro de nós a capacidade de nos sentirmos bem connosco próprios, de aceitarmos o que a vida nos propõem, de expor os nossos sentimentos mais profundos, de acreditar numa ordem maior que diz que tudo tem uma razão para acontecer. É apenas uma escolha. Apenas escolhemos caminhos diferentes, mais morosos e por vezes mais dolorosos. Escolhemos vitimizar-nos e desvalorizarmo-nos, preferimos resistir e lutar contra a vida, mantemos mascaras gigantes que nos escondem a nossa fragilidade e sensibilidade e continuamos a rejeitar qualquer tipo de conceitos diferentes daqueles a que estamos agarrados. Quando elevamos a nossa consciência e começamos a aceitar que o “feliz” desfecho das nossas situações está directamente ligado à maneira como nos sentimos connosco próprios, à aceitação incondicional da responsabilidade por esses eventos, à qualidade de mudança que fazemos dentro de nós próprios, à aceitação de que as emoções que sentimos são nossas e não causadas por outros, tudo mudará na nossa vida. E quando mudarmos a nossa vida para melhor, mudamos quem esta à nossa volta para melhor, seja a família, o trabalho, a rua, a cidade ou o planeta inteiro.

Por mais que ainda queiramos acreditar que se o outro não me magoasse eu não estaria a sofrer, a vida simplesmente não funciona assim. Continuar a acreditar nisto apenas nos fará prolongar essas mesmas situações sem qualquer resultado positivo. Resistir a elas apenas irá aumentar a probabilidade de agravar essas mesmas situações. Será que ainda não percebemos que mesmo quando nos afastamos de alguém que achamos que nos magoou que a dor segue connosco ? E que provavelmente iremos atrair outras situações futuras exactamente iguais ? Precisamente porque não mudamos o que está dentro ! Pura e simplesmente não olhamos para nós. Se sermos apenas bons, honestos, e prestáveis para os outros fosse a fórmula para a felicidade, então grande parte da humanidade estaria confortavelmente a viver a sua vida sem qualquer carência maior. Se a boa intenção curasse doenças ou evitasse desastres não haveria hospitais nem acidentes.

Acredito verdadeiramente que a vida tem regras, leis muito próprias, universais que infelizmente o tempo e o homem deixaram esquecer. Está na altura de recuperarmos essa sabedoria antiga e deixarmos a Vida fazer a sua magia. Por mais que o conceito de eu superior seja maravilhoso, que as respostas estão todas dentro de nós, que somos deuses encarnados numa forma física, que o amor é a última resposta, nada disso faz sentido enquanto não soubermos parar, ouvir e sentir a única voz que tem realmente algo para nos dizer e fazer sentir, a nossa própria voz interior. Essa voz sábia é a única capaz de nos dizer quando é o tempo de correr atrás e quando é o tempo de largar. Seja uma relação, um curso, um emprego.

É importante começarmos a sentir dentro, primeiro o que tanto desejamos experienciar fora, a sermos nós próprios o exemplo do que queremos atrair. A olhar dentro de nós de seguir o mapa que lá temos pois ele é único, pessoal e intransmissível. Iniciar um percurso espiritual implica aprender a ver o mundo com outros olhos, implica aprendermos a aceitarmo-nos, respeitarmo-nos e amarmo-nos a nós próprios. Inconscientemente andamos a exigir aos outros o que ainda não sabemos dar a nós próprios.

E agora, para todos aqueles que se encontram com duvidas em relação a parceiros, nunca esperem que alguém lhes vá dar ou fazer sentir algo que ainda não conseguem sozinhos. Cobrar ou exigir algo do outro jamais será a base um relacionamento feliz. Aceitem os relacionamentos que a Vida vos fez atrair e usem-nos para reverem neles o que ainda está para trabalhar dentro. Trocar de parceiro quando não gostamos das suas atitudes, sem qualquer mudança interior nossa, é apenas uma negação das feridas que carregamos dentro e iremos apenas adiar esse trabalho de limpeza atraindo novos mas em tudo idênticos aos parceiros anteriores. Só quando aprendermos a gostar de nós próprios, a valorizarmo-nos, a tomar consciência do que temos de melhor e de pior, só quando vibrarmos em puro amor, podemos atrair alguém com a mesma energia.

Quando a pessoa começa um verdadeiro trabalho de interiorização, irá reparar que as escolhas passam a ter mais qualidade, se tornam mais fáceis, mais puras e jamais irão estar dependentes de ninguém. Desejo a todos momentos de paragem e de silencio para que as verdadeiras mudanças possam começar a acontecer ..

Bem Hajam

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