“Já devo ter feito muito mal para sofrer tanto nesta vida!”

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A partir do momento em que começamos a abraçar a teoria da reencarnação e a imaginar as várias vidas que já vivemos, tomamos finalmente consciência da nossa dualidade, que se expressa na personalidade exterior e na alma no nosso interior. Começamos finalmente a darmo-nos conta que se o corpo é efémero, a alma é eterna e é a ela que devemos dar atenção e prioridade pois é através dela que iremos experienciar a vida, é nela que se esconde a bagagem trazida de outras vidas, e é ela que irá sobreviver à vida presente levando consigo as consequências criadas no presente, tanto positivas como negativas.

O estado de felicidade que todos ansiamos jamais acontecerá com o egoísta e agressivo acumular de bens materiais ou de procurar o amor em relações perfeitas.  A felicidade e abundância serão facilmente atraídas a partir do equilíbrio interior entre as duas partes. Ou seja, quando personalidade e alma aprenderem a cooperar e a agir em estado de amor.
Esta proposta de equilíbrio, ensinada desde sempre no Oriente, como por exemplo no Caminho do Meio como ensinava Buda há mais de 2500 anos atrás, ou no antigo símbolo Taoísta Yin Yang, implica o conhecimento e a experiência dos polos opostos. Precisamos então conhecer a fórmula sagrada de 1+1=3 que nos sugere que só da aceitação e integração de cada polo oposto poderemos transcendê-las e criar uma terceira realidade.
Por exemplo frio+quente=morno, medo+coragem=ação, tristeza+alegria=pazinterior, ignorância+sabedoria=consciência, etc.  Ou seja, não há evolução sem integração dos opostos. Não há transcendência sem a experiência dos polos. Não há acesso à luz enquanto não amarmos a sombra.
Deste ponto de vista, o mundo é então um gigante palco onde cada um de nós, regidos e apoiados por leis universais justas e pelo relógio astrológico, estamos em plena experimentação da nossa dualidade sempre ansiando pela próxima transcendência.  Os movimentos planetários mais não fazem do que gerir a balança cósmica, boicotando e incentivando excessos e faltas, propondo a cada momento, oportunidades de equilíbrio pois é nesse ponto mágico que resgatamos o nosso poder e manifestamos a nossa abundância. 

A ignorância sobre estes movimentos faz-nos resistir à inteligente fluidez das energias entre os polos, fazendo de nós tantas vezes, os nossos piores inimigos, impedindo ignorantemente o equilíbrio de acontecer.
O mundo é então esse laboratório atómico onde cada um de nós, em níveis de frequência diferentes, em vibrações próprias, vamos fazendo experiências com a nossa dualidade interna através do exterior, sempre em busca do novo elixir só acessível pela transcendência. 

Esta visão convida-nos então a aceitar que todas as experiências são válidas e que cada um de nós irá experienciar o mundo de maneiras diferentes que estão diretamente alinhadas com o seu interior. Socialmente não é fácil lidar com a polaridade pois perdemos a visão da unidade. Num momento gostamos de acreditar no amor, na amizade, na justiça, na responsabilidade e em todos os outros valores universais. Mas logo a seguir somos confrontados com os aspectos negativos dos mesmos na forma de medo, agressividade, violência, e tantos outros. Incapazes de ver que a vida nada mais é do que uma dança permanente entre opostos, acabamos por nos iludirmos com as partes, julgando erradamente umas de boas e outras de más quando mais não são do que dois lados da mesma moeda.

A proposta é então aprendermos a olhar para o mundo sem julgamento, aprendendo a reconhecer sim o que são expressões dos polos. Focarmos a nossa energia e procuramos curar a parte que nos toca. Descobrirmos a polaridade dentro de nós assim como maneiras de a transcender.
Não é raro ouvir o desabafo; “Já devo ter sido muito mázinha na vida passada para sofrer tanto nesta vida!”.
E cabe-me a mim a difícil resposta de dizer que sim, que todos trazemos conosco uma sombra onde se esconde as consequências de experiências desiluminadas, onde foi necessário ir ao polo negativo para gerar o equilíbrio com o polo positivo. Este tipo de desabafo ainda esconde a velha medieval visão de castigo divino que perante a visão da polaridade/equilíbrio não faz sentido nenhum.

Por isso para quem ainda tem dúvidas, sim, todos já fomos muito mauzinhos mas também bonzinhos. Todos já agimos por medo e por amor. Todos precisamos da experiência dos polos para os podermos transcender. Sejamos então mais observadores da magia do que julgadores do que não entendemos. Foquemos mais no que podemos mudar (nós próprios) do que gastemos energia a comentar os desiquilíbrios dos outros. Aprendamos sim a perceber e a rendermo-nos à magia que nos rodeia.

Bem hajam!
Vera Luz

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