Fecha os olhos e Ama-te!

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Muitos são os sinais que revelam falta de amor próprio.

Timidez, medo, pensamentos ilusórios, falsos e negativos, falta de assertividade e coragem, crença de desvalorização, incapacidade de ser, fazer, sentir ou conseguir, excesso de influência dos outros, agressividade, frieza e arrogância, sentimento de inferioridade e muitas outras atitudes que revelam como o ser humano vive desconectado da sua fonte de amor próprio, luz e valorização pessoal.
A falta de amor próprio não se deve propriamente aos pais que atraímos, à falta de amor que recebemos na infância, às brigas com os irmãos, àquela professora ou colega da escola que insistia em embirrar connosco, à falta de dinheiro ou reconhecimento ou ao marido ou mulher que não demonstra amor como gostaríamos.
A falta de amor próprio deve-se à nossa incapacidade de sentir e resgatar o amor dentro de nós próprios, POR nós próprios. Deve-se à baixa ou mesmo ausente noção do nosso valor e dos potenciais únicos que só nós carregamos. Deve-se a uma auto-imagem distorcida que apenas vê o nosso pior e que não se acredita merecedor de algo melhor.

Enquanto não activarmos esta fonte de amor interna, uma deprimente ladainha canta no fundo da nossa mente;
“eu não sou capaz, eu nunca consigo, eu não mereço, eu não posso, eu não….., é difícil, é impossível, eu não, eu nunca…”
Os outros, o exterior, os eventos e comentários que atraímos e de que somos alvo, são apenas hologramas externos dessa energia interna, macro cenários desse nosso micro dilema, agulhas de acupunctura que vêm activar o trabalho interno que ainda não fizemos.

Em Astrologia este tema da valorização pessoal e do amor próprio é representado pelo Planeta Vénus e pela energia de Touro que simboliza os nossos valores tanto interiores como, por correspondência, exteriores.
Dependendo da posição dos Planetas e aspectos que eles fazem uns aos outros, eles irão facilitar ou complicar a nossa relação com o nosso valor, seja a exagerá-lo, a distorcê-lo ou a diminuí-lo.
Por exemplo, uma pessoa com fraca auto-imagem, baixo amor próprio e pobre sensação de valor pessoal, pode estar rodeada de familiares e amigos que a enchem de afecto, incentivo e entusiasmo pela pessoa maravilhosa que ela é.
Mas dentro dela, ela não só não o sente como suspeita da veracidade das pessoas que lhe fazem chegar esses comentários. Como se costuma dizer, entram por um ouvido e saem pelo outro… e porquê?
Porque nada dentro dela faz ressonância com o que ouviu. Porque aquelas qualidades ou aqueles valores ainda não foram reconhecidos ou sequer aceites pela própria pessoa. Os outros são “activadores” do trabalho ainda por fazer, mas terá que ser o próprio a dar inicio a essa viagem e a acender a sua própria luz.

Só depois dessa energia ser validada dentro de nós mesmos, é que podemos aceitar e concordar com a imagem maravilhosa que alguém tem de nós.
Mas até chegarmos aí a caminhada é longa…
O que faz afinal uma pessoa perder a noção de quem é e da sua valorização?
Eu acredito que é o excesso de distracção exterior que aos poucos nos vai fazendo esquecer quem somos e desligando a nossa própria capacidade de auto-análise e valorização pessoal. Ficamos assim, robótica e totalmente à mercê do que o outro diz ou pensa de nós. É um padrão como tantos outros e que pode durar vidas seguidas.
Mais cedo ou mais tarde, depois de experienciar essa ausência de identidade ou consciência própria e de força interior, a Alma irá propor-se ao resgate da mesma.

Talvez o que provoque mais estrago no processo de resgate da nossa valorização pessoal seja o da comparação que insistentemente fazemos e permitimos que façam connosco.
A comparação é talvez a primeira observação de que somos alvo desde o momento em que nascemos.
É igual ao pai, tem as mãos da mãe, é simpático como o irmão e franze o os olhos como o avô.
Depois de esgotado o reportório em casa e na família, das milhares de comparações possíveis, eis que se abre uma nova porta; a da escola. E volta mais uma vez a eterna comparação mas agora perante o mundo, desconhecidos, que a única coisa que têm em comum connosco, numa primeira fase, é o ano em que nasceram e a escola onde andam.
Só mais tarde nos iremos agrupar de acordo com interesses comuns. Durante estes primeiros 20 anos, em que estamos em plena descoberta da nossa identidade, e dependendo da nossa energia mais ou menos vulnerável e sensível à questão da comparação e do valor próprio, vamos sentir o desafio social dos estereótipos, tão fortes na fase da adolescência, mas que não raras vezes se estendem por toda a fase adulta. Nesta primeira fase de vida a identidade é ainda muito vivida ao nível do ego, do exterior, da imagem e é de tal maneira forte que quem não seguir certos códigos, arrisca-se a uma rejeição colectiva. Escusado será dizer que o maior perigo desta fase é a desconexão com o que o ser humano tem de mais valioso; a sua essência.
Por essência refiro-me ao que somos e logo ao que gostamos ou não gostamos. Ao que nos faz sentido e ao que não faz sentido. Ao que nos é confortável e ao que não é. Ao que nos é querido e ao que temos resistência. Ao que nos valoriza e ao que nos desgasta. Nos primeiros anos estas referências tendem a vir de fora. Só mais tarde iremos então arrumar a casa dentro e resgatar o que, entretanto, abafámos.

Seja em que idade for, o fenómeno dos espelhos lembra-nos que os outros não existem para nos definir ou contribuir de maneira nenhuma para a nossa felicidade. Os outros existem para nos espelhar o que em nós ainda é sombra ou potencial. Quanto mais cedo conseguirmos descobrir isto, melhor!
Há espelhos que nos vêm chocar com energias densas e negativas que vivem algures negadas em nós e que jamais acreditámos poderem viver dentro de nós. Pelo contrário também nos chegam o que temos de melhor mas que infelizmente, tal como as negativas, vivem tão negadas ou inconscientes como a confiança, a coragem, o atrevimento, a assertividade, a determinação e outras tantas de que somos capazes mas que ainda se consciencializaram dentro de nós.
Logo, quando comparamos ou nos permitimos ser vítimas de comparação, perdemos o foco com o processo do espelho, saímos do centro da nossa essência e passámos a estar identificados com uma qualquer referência externa de algo ou alguém que, nada sabe de nós e que nada tem a ver com a nossa essência.

Vamos usar o exemplo de dois irmãos completamente diferentes.
Um é sensível, intuitivo, reservado, profundo, algo aéreo e fechado.
O outro é desportista, transparente, leve, focado, práctico e aberto.
O primeiro é Yin o segundo é Yang.
O primeiro pode cair no risco de ficar preso na sua própria profundidade e assim dramatizar demais as situações e a controlar demais as suas emoções, afundar-se na sua eterna busca de significado por não ter o sentido práctico e leveza do irmão de viver de uma maneira mais simples e leve.
O segundo pode cair no risco de agir sem sensibilidade, ficar preso no que está fora, no corpo, no exterior, na sua auto-exigência e dar por ele a controlar demais a vida e os eventos. Este precisa desacelerar, relembrar que a vida não são só resultados externos. Que há uma sabedoria universal e profundidade intuitiva que nos permite encontrar o significado da vida de maneira viver em equilíbrio.

Resumindo e analisando superficialmente, são ou não os dois irmãos dois lados diferentes da mesma moeda? São ou não os dois complementares? Têm ou não têm os dois características maravilhosas que qualquer um gostaria de conseguir em si próprio?
Sabendo que existe o outro lado da moeda, e que são precisos dois lados para ela ser completa, é ou não cada um deles algo incompleto até começar a desenvolver as características do outro? E não será por isso mesmo que o outro está ali como irmão?
E não é afinal encontrar o equilíbrio o propósito da vida?
Eu acredito que sim!

Neste sentido e com esta intenção, a comparação torna-se então construtiva para ajudarmos o outro no resgate do que lhe falta com o objectivo de o tornar completo.
E tal como os nossos irmãos, todos temos nas nossas vidas esses espelhos maravilhosos que devem ser vistos como exemplos do que temos a desenvolver e não como bitolas do que não ainda não somos ou julgamento superficiais do que os outros deveriam ser.
Até porque não existe ninguém que represente o equilíbrio entre todas as emoções. Todos sem excepção estamos em busca de algo que nos falta. A Astrologia mostra bem que energias são essas e em que áreas de vida elas se encontram.
Por ser ainda tão automática em nós e longe de percebermos a gravidade de tal acto, comparar é algo que fazemos milhares de vezes por dia.

A comparação nua e crua é um julgamento disfarçado, uma tentativa discreta de manipular o outro no sentido de fazê-lo acreditar que ele como é não serve, é inferior e que deveria ser outra pessoa ao invés de ser ele próprio.
Embora as intenções de quem compara nem sempre sejam más ou destrutivas, o que é certo é que o efeito final é sempre negativo se não temos o cuidado de explicar que o propósito é apenas o de ajudar a pessoa a inspirar-se, não na pessoa A ou B mas sim na característica que ela representa e que pode ser aproveitada.

A partir do momento em que acordamos para este fenómeno. Quando finalmente percebemos que já somos maravilhosos como somos, que somos perfeitamente imperfeitos tal como somos e estamos conscientes e em paz com a pessoa que JÁ somos, podemos então dar inicio a essa maravilhosa viagem que é afinal a Vida.
Nuns encontros vamos-nos inspirar em quem já não queremos ser, partes de nós de um passado longínquo que já não nos servem na viagem rumo ao amor.
Noutros vamos aprender a personificar novas energias que estavam adormecidas em nós e que por vezes por serem tão poderosas e maravilhosas, achávamos-nos incapazes de tal.

Lembra por isso que o que quer que já tenha entrado na tua realidade, já foi atraído por ti e como tal existe já em ti!
Como diz o ditado antigo; “De médico e de louco todos temos um pouco”. E não é a vivência dos opostos que nos torna maravilhosos? Deixemos então de lado a comparação que trás sempre uma conotação negativa e passemos a chamar-lhe inspiração que é afinal o que nos ajuda a despertar todas as partes que vivem em nós.

Bem Hajam!
Vera Luz

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