Da pena para a compaixão

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Nos processos de regressão, seja ela a um evento recente, infância ou vida passada, é importante relembrar eventos ou momentos menos felizes recriando mental ou visualmente, com o maior detalhe possível, esses mesmos momentos.

O adulto que somos hoje irá então observar de fora tal como se estivesse a ver um filme, o cenário onde um dia experienciámos um momento menos feliz ou mais traumático e quando questionadas sobre o que estão a sentir por aquela criança, a maior parte responde emocionada; -“Sinto pena dela”.

Existe uma diferença entre pena e compaixão.

Sei que para muitos esta diferença é óbvia mas tenho observado que também não são poucos os que de facto não percebem a diferença. E curiosamente são precisamente os que não percebem que mais se identificam com a pena..

Ter “pena de” é um sentimento que normalmente anda de mão dada com a vitimização. Ou seja, a pena que sentimos de nós próprios ou de outros pelas dores ou perdas que passamos é sentida a partir de um patamar de impotência perante uma suposta’ injustiça causada pela vida ou outros. É a observação da realidade a partir de umas lentes foscas, distorcidas, incapazes de perceber as mecânicas invisíveis e mágicas da vida como por exemplo a Lei da Atracção ou a Lei do Karma. Ter pena de alguém é não ser capaz de ver como a dor é essencial ao nosso processo de crescimento, ao equilíbrio das energias dentro de nós e à purga do que já não nos serve no nosso processo de purificação. Sendo assim alimentar a pena que ainda sentimos pelas dores que passámos ou mesmo no que toca a outros é manter vivas as crenças medievais de medo de um Deus caprichoso, do julgamento imediato das situações sem a correcta perspectiva espiritual e de impotência de recriarmos novas energias através da nossa transformação interior. Alimentar a pena é manter viva a vitimização, a lamúria e a auto comiseração que não são mais do que aspiradores de energia do amor e que pela sua densidade nos fazem atrair todo o tipo de energias negativas.

Compaixão é a oitava acima da pena.

Compaixão é a rendição completa à dor como alquímica, sagrada e transformadora.

Muitas vezes essa dor é a única capaz de nos rasgar a grossa e resistente capa do nosso ego e de deixar ver a luz que se esconde por baixo. Ao contrário da pena que tende a evitar ou a desejar que a dor não acontecesse e que luta contra quem a vem provocar, a compaixão sabe que ela é justa, perfeita e está matematicamente alinhada com os processos kármicos de cada um. Logo ela é vista como uma limpeza, como um restaurar energético, como uma oportunidade magnifica de purificação e de consequente elevação energética. Na vibração da compaixão a dor é uma oportunidade de nos elevarmos, purificarmos, libertarmos, amadurecermos, valorizarmos, disciplinarmos e revelarmos a mais elevada versão de nós próprios. Alimentar a compaixão é viver consciente que cada um irá viver as dores que precisa para o seu alinhamento pessoal e como a nossa limitada visão 3D não nos permite a total consciência desse processo, resta-nos confiar nos processos de atracção energética.

Para validar e solidificar os dois conceitos, tomemos como exemplo a alma iluminada que foi Madre Teresa de Calcutá.

Todos gostamos de lembrar essa alma maravilhosa pelo seu trabalho de amor incondicional e de entrega altruísta ao mundo e ao serviço social, certo?

Mas também sabemos que o trabalho dela não era o de curar ninguém pois nem tinha meios nem formação para o fazer. A sua presença era apenas a de apoiar e tornar o processo de dor, perda e purificação dos seus doentes mais leve através da sua presença de apoio e amor incondicional. Esta grande senhora não tinha uma atitude de revolta, impotência ou luta perante a dor mas sim de rendição e aceitação da mesma. A sua dedicação era direcionada para manter o mínimo conforto emocional e físico perante um processo de purga físico e espiritual que cada um estava a viver.

E agora eu pergunto;

Ela sentia pena daquelas pessoas ou sentia compaixão?

Resumindo, é tudo uma questão de atitude. Seja a pena ou a compaixão, cada uma destas posturas é o resultado de uma forte crença e filosofia de vida, como já percebemos bastante diferente uma da outra e normalmente até incompatíveis. Enquanto que a pena cristaliza, a compaixão como a Madre Teresa mostrou é a capacidade de por o amor em acção seja ele dentro de nós na aceitação ao poder maior seja ele canalizado para o mundo construtivamente.

Sendo assim procura que sentimento te vem quando lembras as tuas maiores dores ou mágoas. O que sentes perante o sofrimento que vemos nas noticias?

Ainda é a pena ou a compaixão?

É importante que sejamos verdadeiros com o sentimento que carregamos pois a negação de nada nos serve. Lembremos a filosofia Budista que considera não apenas a evolução do ser humano mas também do mundo mineral, vegetal e animal e logo a grande e invisível espiral evolutiva tudo arrasta tal como um tornado.

Hoje dia 14 Junho Saturno está a reentrar em Escorpião onde irá pelo Verão fora expor muitas das nossas dores, medos, inseguranças e é importante que cada uma que surja em busca da luz e da libertação tenha à sua espera os nossos braços cheios de compaixão lembrando que foram essas dores que fizeram de nós a pessoa maravilhosa em que nos estamos a tornar.

Caso ainda existam restos de ‘pena’, situações que ainda vemos pelos olhos da vitimização aconselho vivamente terapia para a transformação definitiva desses restos medievais dentro de nós!

Bem Hajam!

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