A Reencarnação nas nossas vidas

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Para os antigos Egípcios a morte não era um fim mas sim uma passagem para um plano diferente e mais elevado do que o nosso. A sua obsessão e crença nessa continuidade da vida era tal que as suas vidas serviam, em muitos aspectos, para honrar e preparar essa passagem, chegando ao ponto de enterrar com os mortos todo um “enxoval” de tralhas incluindo por vezes até criados vivos.

A ligação e respeito permanente pelos Deuses, o sagrado ritual da mumificação, a forte conexão com o espírito superior, o manuseamento da energia, a sabedoria astrológica e esotérica e tanto mais que ainda hoje não entendemos, são indícios que mostram que para eles, a vida presente era vivida como uma continuidade entre um passado e um futuro e onde a morte era a passagem da continuidade entre vidas.

Embora de maneiras bem diferentes mas com um propósito idêntico, os Budistas não só seguem e vivem sob a teoria da reencarnação e lei do karma como as suas crenças servem o propósito positivo dessa mesma crença, ou seja, a vida presente serve de purificação das acções passadas e de preparação para a próxima vida. Respeitando a teoria de evolução espiritual, a vida presente reúne as oportunidades que precisamos para aprender a amar, aceitar e a tomar responsabilidade que tudo o que atraímos à nossa realidade foi já um dia (karmicamente) emanado por nós e como tal cabe a nós recebermos amorosamente essas energias quebrando assim o ciclo repetitivo kármico.

Também os Hindus e Sikhs partilham desta visão de reencarnação, karma e de propósito evolutivo da alma. Para ambos existe a transmigração da alma e reencarnação e enquanto que os Hindus chegam a Deus através de vários Deuses, os Sikhs chegam através de um Deus apenas. O conceito de karma é igual, ou seja o que sai de nós de nós, a nós voltará.

Os gregos antigos, esse povo que nos legou templos, Deuses, filosofias, filósofos, lendas e mitos não foge a esta tendência. Entre muitos outros, Platão foi o grande defensor da teoria de reencarnação deixando escritos até hoje estudados nas escolas e faculdades de todo o mundo.

Também um dia o Cristianismo foi fiel à reencarnação e honrou a mensagem original passada por Jesus mas muito cedo mal entendida. Por volta de 500 anos depois de Cristo, elementos do poder, mais propriamente o Imperador Justino em Constantinopla, da já então organizada Igreja Católica, resolveu alterar os escritos originais, retirar a mensagem de reencarnação e substituí-la pelos conceitos de paraíso / inferno para controlar o povo mais facilmente através do medo, do julgamento, do castigo e da culpa.

Fieis à mensagem original de Cristo e à antiga sabedoria esotérica, astrológica, numerológica, rejeitando totalmente a ideia proposta neste concílio, seitas secretas mantiveram segura a informação original que de outra maneira teria sido queimada ou perdida.

Esoterismo é o nome genérico que designa um conjunto de tradições e interpretações filosóficas das doutrinas e religiões que buscam desvendar seu sentido supostamente oculto. O termo deriva do Grego interior ἐσώτερος (esôteros) “interior”, ou do ajectivo ἐσωτερικός (esôterikos), “o que toca ao interior”.

Segundo alguns, o esoterismo é o termo para as doutrinas cujos princípios e conhecimentos não podem ou não devem ser “vulgarizados”, sendo comunicados a um restrito número de discípulos escolhidos. Um sentido popular do termo é de afirmação ou conhecimento enigmático e impenetrável. Hoje em dia o termo é mais ligado ao misticismo, ou seja, à busca de supostas verdades e leis últimas que regem todo o universo, porém ligando ao mesmo tempo o natural com o sobrenatural. Há doutrinas, nomeadamente as espiritualistas, que são também chamadas esotéricas.

Isto tudo para dizer que, o que muitos ainda hoje banalizam, as nossas próprias e pessoais crenças quanto à vida, os nosso medos do Deus julgador no dia do julgamento ou do inferno assim como em oposição, a ideia do Deus do Amor e da continuidade da vida e evolução espiritual são bem mais sagradas e antigas do que muitos possam pensar.

É importante fazer este momento de paragem e análise histórica para honrarmos a antiga sabedoria e refletirmos qual é afinal a crença que seguimos? O que afinal nos faz sentido? O que é Deus e a vida para nós no nosso dia a dia? Para que serve afinal o dia a dia?? Qual é o propósito da nossa existência?

Num tempo de informação permanente e de enorme divulgação de conceitos, frases, teorias, textos, opiniões e crenças nas mais variadas redes sociais, corremos o risco de vandalizar e banalizar a antiga e original sabedoria, tal como a igreja católica fez com a teoria de reencarnação há 500 anos atrás.

A minha proposta não é a que sigas a teoria que eu sigo. A minha proposta é apenas que questiones que teoria tens vindo a seguir, se te faz sentido, se te tem trazido respostas e resultados positivos ou não pois sei por experiência que enquanto não actualizarmos as nossas crenças, corremos o risco de estarmos presos às dos nossos pais ou pior ainda, às da nossa vida anterior.

Caso não saibas ainda a energias que trazes, recomendo-te vivamente uma sessão astrológica para que tomes consciência das energias que circulam em ti e do que vens fazer evoluir.

Infelizmente são muitos os que diariamente me confessam que mesmo tendo percorrida e semi-conquistada a exageradamente perfeita agenda terrena, aos 35/40 anos ainda não atingiram a tão ansiada felicidade e logo as crenças até aí sobreviventes, acabam por cair por terra, por vezes da pior maneira.

Curiosamente, tanto na minha vida como na de todos o que comigo se cruzam, é a lembrança da sabedoria esquecida que nos sossega e devolve ao trilho original.

É a noção de continuidade passo-presente-futuro que nos situa no presente. É a humildade que nos liberta quando admitimos e reconhecemos que a lei do karma está presente em tudo na nossa vida. Saber que as condições que vivemos hoje foram por nós criadas nos passado torna-nos responsáveis por nos pacificarmos com elas e responsabilizarmo-nos por construir um presente e futuro melhor. A resistência à teoria mantêm-nos nos velhos padrões, prendendo-nos aos mesmos velhos e dolorosos desfechos.

Um dia lá à frente os nosso netos, bisnetos e futuras gerações irão olhar para trás e estudar, falar e analisar este tempo presente.

Um dia será óbvio quem estava já desperto a viver uma nova energia ou quem estava ainda fechado em plena vivência do materialismo e do ego.

Tudo, o que tem valor tem um preço e a nossa paz interior e a fidelidade ao que nos faz sentido pede um enorme compromisso que só quem já o aceitou, sabe que vale a pena…

Deixo-te assim a proposta de desarrumares as tuas crenças para que as possas arrumar à tua maneira:

– Quem és tu?

– O que acreditas que é a vida?

– Qual o seu propósito mais elevado?

– Como aplicas a lei do karma na tua vida?

– O que é Deus para ti?

– Como justificas as perdas e frustrações?

– Que grandes lições a vida te tem ensinado?

– Com pretendes chegar ao dia da morte?

Termino como comecei, honrando as antigas civilizações que honravam a vida como uma passagem para outro plano. Propondo que olhemos para a vida como um episódio de muitos, onde o objectivo é a passagem da ganância do ego materialista para a vivência da alma e do amor que todos reconhece como iguais.

O infeliz estado em que muitos se encontram de “perdido, desorientado, sem norte” descreve bem o estado de ignorância em que estamos desde que rejeitámos a tão velha, sobrevivente e maravilhosa teoria de reencarnação.

Sem esta bússola, sem a noção de continuidade, sem referencias do tipo de viagem que estamos a fazer, de onde viemos e para onde vamos, vivemos como um barco sem remos nem rota no meio do oceano..

Se é esse o teu estado, cá te espero para que te situes temporalmente e evolutivamente na tua história, para que possa aproveitar o presente para te pacificares com as memórias do passado e identificar quem te vem ajudar a ir mais além na vida presente.

Para que então possas sim morrer um dia lá mais à frente, com mais sabedoria, mais consciência e mais amor do que nasceste pois isso sim é evolução e o propósito espiritual da nossa existência.

Bem hajas!
Vera Luz

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